Ensinos Finais
Marcos conta sua história em três níveis e devemos manter nossos olhos neles enquanto percorremos seu livro:
- O ministério de Jesus para as multidões.
- O ministério de Jesus para os discípulos.
- A confrontação de Jesus com os líderes religiosos judeus.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que declarou Sua verdadeira identidade às multidões, é seguida por Sua confrontação final e repreensão aos líderes. Resta uma última oportunidade de ministério para Seus discípulos, durante a qual Ele os instruirá sobre três questões:
- O julgamento da nação de Israel por rejeitar seu Messias.
- O que acontecerá com Ele no futuro próximo.
- Como eles comemorarão Sua vida, morte e ressurreição.
Julgamento Sobre a Nação — 13:1-37
Muitos que leem o capítulo 13 não têm certeza do que Jesus está falando: o fim final do mundo ou a destruição de Jerusalém que ocorreu em 70 d.C. A chave para entender Seu ensino está nos primeiros quatro versículos, que então colocam o restante da passagem em contexto.
1E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras e que edifícios! 2E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada.
- Marcos 13:1-2
Os Apóstolos estão se referindo ao templo, uma estrutura que foi restaurada após 40 anos de construção contínua. Jesus lhes diz que o templo será destruído. Para o povo daquela época, o templo representava e incorporava a religião e a nação judaica. Os Apóstolos ainda não entendem que o cristianismo substituirá o judaísmo, e a destruição total do templo e da cidade onde ele estava será um sinal disso.
3E, assentando-se ele no monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, e Tiago, e João, e André lhe perguntaram em particular: 4Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir.
- Marcos 13:3-4
Vários dos Apóstolos ficaram perturbados com essa ideia e questionaram Jesus especificamente sobre isso. Eles queriam saber quando isso aconteceria e quais sinais acompanhariam esse evento. A resposta que Jesus deu foi em resposta às suas perguntas.
A resposta do Senhor foi difícil de entender porque Ele usou uma linguagem "apocalíptica" (semelhante à linguagem usada no livro do Apocalipse). Isso significava que somente aqueles que estavam familiarizados com esse estilo críptico, e conheciam a pergunta original dos Apóstolos junto com a resposta de Jesus, seriam capazes de discernir o significado de toda a passagem. A chave, no entanto, era que Sua resposta descrevia os eventos que cercariam a futura destruição de Jerusalém.
Jesus começou, portanto, mencionando as várias fases que levaram a este terrível fim:
A Fase do Falso Profeta e do Boato
5E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Olhai que ninguém vos engane, 6porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. 7E, quando ouvirdes de guerras e de rumores de guerras, não vos perturbeis, porque assim deve acontecer; mas ainda não será o fim. 8Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino, e haverá terremotos em diversos lugares, e haverá fomes. Isso será o princípio de dores.
- Marcos 13:5-8
Após a ascensão de Jesus (Atos 1:9-11), muitos falsos profetas surgiram e pregaram cenários de "fim do mundo". Josefo (um historiador judeu daquele período) escreve sobre esses e como foram mortos ou desapareceram. Além disso, a nação judaica estava frequentemente em conflito com o rei Herodes e Roma, e havia muitas convulsões (políticas e militares) acontecendo o tempo todo. Jesus os adverte a não entrarem em pânico quando esse tipo de coisa ocorresse.
A Fase Da Perseguição
9Mas olhai por vós mesmos, porque vos entregarão aos concílios e às sinagogas; sereis açoitados e sereis apresentados ante governadores e reis, por amor de mim, para lhes servir de testemunho. 10Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações: 11Quando, pois, vos conduzirem para vos entregarem, não estejais solícitos de antemão pelo que haveis de dizer; mas o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. 12E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho; e levantar-se-ão os filhos contra os pais e os farão morrer. 13E sereis aborrecidos por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo.
- Marcos 13:9-13
Logo após o Pentecostes, alguns dos Apóstolos foram presos pelas autoridades judaicas (Atos 4) e mais tarde Paulo e seus associados foram perseguidos tanto pelos judeus quanto pelos romanos (Atos 17; 23; 26). Também sabemos que Paulo e Pedro foram ambos martirizados na cidade de Roma (entre 62-67 d.C.) durante uma perseguição geral ao cristianismo em todo o Império Romano. Jesus diz aos Seus Apóstolos que mesmo esses eventos terríveis não cumpririam o juízo de que Ele estava falando.
A Fase do Cerco
14Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predito, estar onde não deve estar (quem lê, que entenda), então, os que estiverem na Judeia, que fujam para os montes; 15e o que estiver sobre o telhado, que não desça para casa, nem entre a tomar coisa alguma de sua casa; 16e o que estiver no campo, que não volte atrás, para tomar a sua veste. 17Mas ai das grávidas e das que criarem naqueles dias! 18Orai, pois, para que a vossa fuga não suceda no inverno, 19porque, naqueles dias, haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá. 20E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos que escolheu, abreviou aqueles dias. 21E, então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo, ou: Ei-lo ali, não acrediteis. 22Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos. 23Mas vós vede; eis que de antemão vos tenho dito tudo.
- Marcos 13:14-23
O termo, "a abominação da desolação" foi usado por Jesus para se referir ao sinal que indicaria que a destruição final da cidade estava próxima. Em Lucas 21:20, Lucas diz que o cerco de Jerusalém pelo exército romano com seus escudos idólatras profanou a cidade e o templo, e foi assim o cumprimento dessa profecia. Jerusalém permaneceu sitiada pelo exército romano por quatro anos, com sua destruição final ocorrendo em 70 d.C. Jesus os adverte que, quando ouvirem a notícia de que o templo foi profanado, será hora de fugirem da cidade.
A história registra que a comunidade cristã que vivia em Jerusalém naquela época realmente escapou e fugiu para Pella (uma cidade localizada do outro lado do rio Jordão) durante uma pausa no cerco, quando o exército romano recuou por um curto período. O historiador, Josefo, relata que havia muitos "profetas" proclamando vitória ou encorajando seus seguidores a permanecer na cidade durante esse período, mas Jesus adverte Seus Apóstolos e futuros cristãos que viveriam em Jerusalém no futuro a evitarem esses e simplesmente escaparem.
Depois que o exército romano deixou os habitantes morrerem de fome, eles então invadiram Jerusalém e massacraram todos os que restaram no pior banho de sangue registrado na história. Para preservar um remanescente do povo judeu vivo através da provação, Jesus diz que Deus "encurtou" aqueles dias no sentido de que Ele permitiu que alguns sobrevivessem.
Jesus adverte os Apóstolos que essas coisas acontecerão e eles agora sabem quando escapar (quando o templo for profanado).
A Etapa Do Evangelho
24Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz. 25E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas. 26E, então, verão vir o Filho do Homem nas nuvens, com grande poder e glória. 27E ele enviará os seus anjos e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu.
- Marcos 13:24-27
Na linguagem apocalíptica (um estilo literário usado para descrever guerras terríveis, tragédias nacionais e os juízos de Deus), a ideia dos corpos celestes caindo ou mudando significava que um período havia terminado e um novo havia começado. Jesus estava dizendo a eles que, com a destruição da cidade e do templo, uma era e uma nação chegariam ao fim. O tempo em que o povo judeu era considerado o povo escolhido de Deus com base em sua relação com Abraão terminaria com essa destruição. Após a ressurreição de Jesus e a pregação do evangelho, o povo de Deus seriam aqueles que cressem e o seguissem, independentemente de sua cultura, gênero ou posição na sociedade (Gálatas 3:28-29).
"A vinda do Filho do Homem" é uma imagem do Antigo Testamento (Isaías 19:1) que descreve a visita de Deus a uma nação com o propósito de julgamento. Na Bíblia, vemos isso acontecer quando Deus visita os assírios, babilônios, medos, gregos e agora os judeus com o propósito de julgamento. João, no livro do Apocalipse, descreverá como Deus também visitará os romanos para julgá-los e puni-los no futuro.
Jesus também descreve a nova era do evangelho onde os anjos (mensageiros/apóstolos) irão pregar a todas as pessoas para trazê-las ao reino (Seus eleitos são aqueles que respondem ao evangelho, pois os judeus não são mais Seus eleitos, tendo rejeitado Cristo).
"Os confins mais distantes do céu" podem referir-se aos mártires que fazem parte do reino.
Aviso Final
28Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já o seu ramo se torna tenro, e brotam folhas, bem sabeis que já está próximo o verão. 29Assim também vós, quando virdes sucederem essas coisas, sabei que já está perto, às portas. 30Na verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas aconteçam. 31Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
32Mas, daquele Dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.
33Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo. 34É como se um homem, partindo para fora da terra, deixasse a sua casa, e desse autoridade aos seus servos, e a cada um, a sua obra, e mandasse ao porteiro que vigiasse. 35Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, 36para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo. 37E as coisas que vos digo digo-as a todos: Vigiai.
- Marcos 13:28-37
Ele os advertiu, deu-lhes detalhes e assegurou-lhes várias coisas:
- Todas essas coisas acontecerão naquela geração. Ele está se referindo ao fim de Jerusalém, não ao fim do mundo.
- Nada pode impedir isso. Não haverá profeta nem outra oportunidade para arrepender-se.
- Ninguém, exceto Deus Pai, sabe quando essas coisas acontecerão. A tarefa deles é simplesmente estar preparados.
A Ceia da Páscoa — 14:1-42
Jesus era judeu, e como judeu Ele observava a Páscoa. A Páscoa comemorava o tempo em que o anjo da morte destruiu todo primogênito no Egito, mas poupou os judeus que estavam cativos ali (Êxodo 12:1-14). Eles foram poupados porque obedeceram à instrução de Deus de aspergir o sangue de um cordeiro nas ombreiras das portas e permanecer em suas casas para participar de uma refeição especial. Desde então, a cada ano (na primavera) os judeus ofereciam um cordeiro sacrificial e compartilhavam uma refeição ritual especial para comemorar sua liberdade da escravidão egípcia. Esta foi a refeição que Jesus estava preparando para compartilhar com Seus Apóstolos.
Normalmente, o pai, o chefe da família ou o mestre seria quem presidia a ceia da Páscoa. Quando a cena se abre no capítulo 14, Jesus está com Seus discípulos, dois dias antes da Páscoa, visitando Simão, o leproso.
1E, dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam com dolo e o matariam. 2Mas eles diziam: Não na festa, para que, porventura, se não faça alvoroço entre o povo.
- Marcos 14:1-2
Marcos observa que Ele estava em perigo, mas Seus atacantes o deixariam em paz durante a festa da Páscoa por medo do povo.
3E, estando ele em Betânia assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro, com unguento de nardo puro, de muito preço, e, quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça. 4E alguns houve que em si mesmos se indignaram e disseram: Para que se fez este desperdício de unguento? 5Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela. 6Jesus, porém, disse: Deixai-a, para que a molestais? Ela fez-me boa obra. 7Porque sempre tendes os pobres convosco e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes. 8Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura. 9Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória.
- Marcos 14:3-9
Marcos também conta a história da mulher que o ungiu com óleo precioso. Muitos dos que estavam ali reclamaram que aquilo era um desperdício (especialmente Judas, que viu uma oportunidade perdida de vender o perfume e embolsar o dinheiro). Jesus colocou a ação dela em contexto, dizendo que não era apenas um desperdício de óleo derramado sobre Sua cabeça para fazê-Lo cheirar bem, ela estava realmente ungindo Seu corpo em preparação para Sua morte. O costume judaico era cobrir os corpos mortos com óleo perfumado para cancelar o cheiro, e por respeito ao falecido. A diferença aqui era que a unção estava sendo feita antes de Ele morrer como um ato de profecia, não de respeito. Jesus elogiou o ato da mulher e o usou para alertar Seus discípulos sobre Sua morte, que aconteceria muito em breve.
12E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando sacrificavam a Páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a Páscoa? 13E enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem que leva um cântaro de água vos encontrará; segui-o. 14E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? 15E ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado e preparado; preparai-a ali. 16E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a Páscoa.
- Marcos 14:12-16
Durante o tempo de Jesus, a Páscoa havia se transformado em uma celebração de uma semana que começava com o consumo do cordeiro pascal sacrificial. Naquele ano em particular, a Páscoa caiu numa quinta-feira. Dois apóstolos foram enviados à cidade para comprar e sacrificar um cordeiro no templo e preparar o aposento onde comeriam a refeição. Nenhum nome foi dado a respeito do dono do aposento ou de sua localização para manter a segurança (Jesus sabia da intenção de Judas de traí-lo).
17E, chegada a tarde, foi com os doze. 18E, quando estavam assentados a comer, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me. 19E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro: Porventura, sou eu, Senhor? E outro: Porventura, sou eu, Senhor? 20Mas ele, respondendo, disse-lhes: É um dos doze, que mete comigo a mão no prato. 21Na verdade o Filho do Homem vai, como dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Bom seria para o tal homem não haver nascido.
- Marcos 14:17-21
Judas estava com eles na refeição quando Jesus anunciou que havia um traidor entre eles. Para todos aqueles que especulam sobre o que aconteceu com Judas, se ele foi salvo ou não, observe o que Jesus disse sobre aquele que O traiu.
22E, comendo eles, tomou Jesus pão, e, abençoando-o, o partiu, e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. 23E, tomando o cálice e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele. 24E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que por muitos é derramado. 25Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da vide, até àquele Dia em que o beber novo, no Reino de Deus. 26E, tendo cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras.
- Marcos 14:22-26
A refeição normal da Páscoa era um ritual onde o líder comia a refeição em etapas e os outros seguiam sua liderança: um pouco de pão sem fermento (representando a pressa que o povo experimentou em sua saída da terra de cativeiro) era mergulhado nas ervas amargas (que representavam sua experiência de sofrimento no Egito) e comido junto com um pouco da carne do cordeiro (representando o sacrifício feito que poupou suas vidas quando o anjo da morte passou sobre suas casas e tirou a vida de todo "primogênito" de criança e animal no Egito).
Mais tarde, o povo acrescentava vinho à refeição, que representava as bênçãos que desfrutavam na Terra Prometida que Deus lhes deu. A refeição prosseguia enquanto o pai comia e bebia cada um desses elementos, com a família seguindo seu exemplo. Em determinado momento, alguém (geralmente uma criança ou um jovem) perguntava ao pai ou ao mestre o que todos esses elementos significavam, e isso proporcionava uma oportunidade para recontar, mais uma vez, a antiga história da libertação do povo judeu da escravidão no Egito. Orações e cânticos eram intercalados entre os pratos até que a refeição comemorativa terminasse.
No momento em que restava apenas um pouco de pão e uma última porção de vinho (geralmente havia duas a três porções), Jesus mudou o significado da ceia da Páscoa e o significado dos elementos. O pão não representaria mais a pressa deles para deixar o Egito, mas agora representaria Seu corpo e a dor que Ele suportaria na cruz. O vinho não representaria mais as bênçãos da Terra Prometida, mas agora representaria Seu sangue (ou Sua vida) que seria sacrificado pelos pecados da humanidade.
Jesus, depois de falar sobre Sua morte, lhes diz que beberá vinho com eles novamente quando o reino (a igreja) for estabelecido. Esta profecia se cumpre toda vez que a igreja se reúne para compartilhar a comunhão em memória de Cristo.
O costume da Páscoa era cantar o "Hallel", uma série de Salmos (Salmos 113-118), o que eles fazem. Depois disso, partem para o Monte das Oliveiras e o Jardim do Getsêmani, que era um parque público a cerca de uma milha fora da cidade, frequentemente usado para meditação silenciosa.
27E disse-lhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim, porque escrito está: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão. 28Mas, depois que eu houver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galileia. 29E disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu. 30E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. 31Mas ele disse com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei. E da mesma maneira diziam todos também.
- Marcos 14:27-31
Mais uma vez, Jesus os adverte que não só um O trairá, mas que quando isso acontecer todos fugirão. Pedro insiste que não o fará e Jesus lhe diz que ele o fará mesmo antes do dia começar (quando o galo cantar). Note que todos os Apóstolos se juntam a Pedro prometendo ser fiéis.
32E foram a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu oro. 33E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João e começou a ter pavor e a angustiar-se. 34E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai. 35E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. 36E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres. 37E, chegando, achou-os dormindo e disse a Pedro: Simão, dormes? Não podes vigiar uma hora? 38Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 39E foi outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras. 40E, voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam carregados, e não sabiam o que responder-lhe. 41E voltou terceira vez e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 42Levantai-vos, vamos; eis que está perto o que me trai.
- Marcos 14:32-42
Foi chamado Monte das Oliveiras por causa do bosque de oliveiras em sua encosta. O parque adjacente no topo da colina era usado pelos viajantes para descansar antes de percorrer a última milha até a cidade de Jerusalém e era chamado Getsêmani (que significa "prensa de azeite") porque uma prensa estava situada em suas terras. É interessante notar que os Apóstolos dormiram durante o período de agonia de Jesus aqui no jardim, assim como durante Seu período de glória no monte durante Sua transfiguração (Lucas 9:32). Marcos descreve a luta e a aceitação final do sofrimento que a natureza humana de Jesus estava tentando evitar (naturalmente).
43E logo, falando ele ainda, veio Judas, que era um dos doze, da parte dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e dos anciãos, e, com ele, uma grande multidão com espadas e porretes. 44Ora, o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é; prendei-o e levai-o com segurança. 45E, logo que chegou, aproximou-se dele e disse-lhe: Rabi, Rabi. E beijou-o. 46E lançaram-lhe as mãos e o prenderam. 47E um dos que ali estavam presentes, puxando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe uma orelha. 48E, respondendo Jesus, disse-lhes: Saístes com espadas e porretes a prender-me, como a um salteador? 49Todos os dias estava convosco ensinando no templo, e não me prendestes; mas isto é para que as Escrituras se cumpram. 50Então, deixando-o, todos fugiram.
51E um jovem o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E lançaram-lhe as mãos, 52mas ele, largando o lençol, fugiu nu.
- Marcos 14:43-52
Judas lidera uma multidão de guardas do templo e agitadores para prendê-lo. Um dos apóstolos de Jesus (Pedro) levanta sua espada e corta a orelha do servo do sumo sacerdote (Malco). Lucas diz que Jesus então curou o homem dessa lesão (Lucas 22:50). Marcos menciona um jovem fugindo deixando suas roupas para trás. Os estudiosos acreditam que este era o próprio Marcos, pois ele conhecia os apóstolos e vivia em Jerusalém naquela época.
53E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais dos sacerdotes, e os anciãos, e os escribas. 54E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote e estava assentado com os servidores, aquentando-se ao lume. 55E os principais dos sacerdotes e todo o concílio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, e não o achavam. 56Porque muitos testificavam falsamente contra ele, mas os testemunhos não eram coerentes. 57E, levantando-se alguns, testificavam falsamente contra ele, dizendo: 58Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derribarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens. 59E nem assim o testemunho deles era coerente. 60E, levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti? 61Mas ele calou-se e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? 62E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. 63E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas? 64Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte. 65E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.
- Marcos 14:53-65
O problema para o Sumo Sacerdote e o Sinédrio era encontrar uma acusação séria o suficiente contra Jesus para justificar a pena de morte. Eles queriam matá-Lo eles mesmos, mas não podiam fazê-lo porque somente o governo romano podia ordenar uma execução. Eles se decidiram pela acusação de blasfêmia que, segundo a lei judaica, era punível com a morte, mas não segundo a lei romana. Note que eles não tinham nada para acusá-Lo até que o próprio Jesus reconheceu a verdade sobre Si mesmo. Note também que eles não tinham razão legal para condená-Lo à morte, mas usaram pressão política e da multidão para fazê-lo.
66E, estando Pedro embaixo, no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote; 67e, vendo a Pedro, que estava se aquentando, olhou para ele e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno. 68Mas ele negou-o, dizendo: Não o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora ao alpendre, e o galo cantou. 69E a criada, vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um dos tais. 70Mas ele o negou outra vez. E, pouco depois, os que ali estavam disseram outra vez a Pedro: Verdadeiramente, tu és um deles, porque és também galileu. 71E ele começou a imprecar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais. 72E o galo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás tu. E, retirando-se dali, chorou.
- Marcos 14:66-72
Pedro estava no pátio do Sumo Sacerdote (o quintal da frente) porque estava com outro discípulo que era conhecido pelo povo do Sumo Sacerdote e permitido entrar. Pedro, quando confrontado pelos servos do Sumo Sacerdote e outros sobre sua associação com Jesus, não apenas negou, mas também amaldiçoou e jurou que nem sequer conhecia o Senhor. Talvez Pedro tenha seguido para ver se Jesus realizaria um milagre e confundiria os líderes judeus mais uma vez. Ele pode ter pensado que este era o começo da revolução, porém, quando viu Jesus amarrado e torturado, ficou com medo, confuso e desanimado.
As pessoas fazem coisas terríveis quando estão sob pressão ou com medo. Pedro, que jurou que até morreria com Jesus, caiu vítima de sua natureza fraca e pecaminosa. Quando o galo cantou e a manhã amanheceu, Pedro percebeu o que havia feito e ficou imediatamente desanimado. Ele havia feito algo que não podia desfazer, não podia consertar nem pagar. Somente Jesus poderia corrigir isso e, como veremos, Ele o fez.


