A Terceira Viagem Missionária de Paulo
A última cena que Lucas descreve em Atos 18 é a breve visita de Paulo a Éfeso no final de sua segunda viagem missionária (Atos 18:19-22). As pessoas ali pediram que ele ficasse mais tempo, mas ele não ficou, prometendo que retornaria em data posterior. Esse retorno ocorreria em sua terceira viagem missionária.
Vamos olhar para o nosso esboço e notar que esta será a última viagem evangelística de Paulo antes de sua prisão e encarceramento em vários locais.
- Primeiro Sermão de Pedro – Atos 1:1-2:47
- Ministério de Pedro Após o Pentecostes – Atos 3:1-4:37
- Perseguição a Pedro e aos Apóstolos – Atos 5:1-42
- Perseguição à Igreja – Atos 6:1-7:60
- Perseguição à Igreja Parte II – Atos 8:1-9:43
- Pedro Pregando aos Gentios – Atos 10:1-12:25
- Primeira Viagem Missionária de Paulo – Atos 13:1-15:35
- Segunda Viagem Missionária de Paulo – Atos 15:36-18:22
- Terceira Viagem Missionária de Paulo – Atos 18:23-21:14
Terceira Jornada Missionária - Atos 18:23-21:14

Paulo Revisa as Igrejas
E, estando ali algum tempo, partiu, passando sucessivamente pela província da Galácia e da Frígia, confirmando a todos os discípulos.
- Atos 18:23
Vemos nesta breve declaração a estratégia de trabalho missionário de Paulo ao iniciar cada jornada com uma visita às congregações que ele havia plantado durante viagens missionárias anteriores. Ele usava essas visitas para encorajar, ensinar e fortalecer a fé deles no Senhor.

Apolo em Éfeso
24E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloquente e poderoso nas Escrituras. 25Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. 26Ele começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus. 27Querendo ele passar à Acaia, o animaram os irmãos e escreveram aos discípulos que o recebessem; o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam. 28Porque com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo.
- Atos 18:24-28
Apolo era um judeu nascido em Alexandria, a cidade no Egito que fora fundada por Alexandre, o Grande, o líder e conquistador grego. Alexandria possuía uma universidade e uma biblioteca, e foi ali que a Septuaginta (a tradução das Escrituras Hebraicas para a língua grega) foi concluída em 132 a.C.
Lucas descreve Apolo como sendo:
- Elocuente: Não simplesmente um bom orador, mas um palestrante e debatedor treinado.
- Poderoso nas Escrituras: Bem versado na Bíblia Hebraica e capaz de usar suas habilidades de debate e fala no ensino das Escrituras.
- Não Completamente Treinado: Ele havia sido ensinado sobre Jesus por alguns dos discípulos de João Batista e, assim, estava ensinando efetivamente o que João havia ensinado: que Jesus era o Messias prometido pelas Escrituras. O fato de ele conhecer apenas o batismo de João sugere que Apolo pode ter se tornado discípulo de João, recebendo o batismo de João, mas não estava ciente do ministério completo de Jesus, que incluía Sua morte e ressurreição, bem como a grande comissão aos Apóstolos para irem pregar o evangelho e batizar todos os crentes arrependidos em nome de Jesus. Isso pode explicar por que, depois de ser ensinado mais plenamente sobre o "Caminho" (que era a expressão usada para descrever o cristianismo naquela época), ele não foi rebatizado. Isso foi semelhante aos Apóstolos, que todos haviam recebido o batismo de João e, ao fazê-lo, cumpriram a vontade de Deus nessa questão, não precisando ser rebatizados após o dia de Pentecostes.
A ideia aqui é que todos aqueles que receberam o batismo antes do Pentecostes (ou seja, os apóstolos, discípulos de João Batista, Apolo, etc.) não precisavam ser rebatizados após o domingo de Pentecostes. Somente aqueles que estavam ouvindo o evangelho pela primeira vez precisavam arrepender-se e ser batizados, conforme Pedro instrui em seu sermão no domingo de Pentecostes (Atos 2:38). Lucas insere este episódio sobre Apolo porque ele era um professor e pregador de destaque (alguns estudiosos acreditam que ele foi o autor da epístola aos Hebreus), mas também porque seu curto tempo em Éfeso prepara a próxima cena, onde Paulo retorna à cidade para continuar a obra que havia começado lá durante sua segunda viagem missionária.
Vemos que Apolo recebe as instruções necessárias de Priscila e Áquila. Note que Lucas nomeia a mulher, Priscila, primeiro, indicando que ela era a professora mais capaz dos dois (Lenski, p.775). Isso não contradizia as instruções de Paulo que restringem as mulheres de ensinar os homens na assembleia (1 Timóteo 2:11-15), pois este era um assunto privado e não ocorria enquanto a igreja se reunia para o culto público. Armado com a mensagem completa do evangelho, Apolo continua no ministério, mas mais poderoso e eficaz do que antes.
Paulo em Éfeso (Atos 19:1-41)
Rebatismo dos Doze
1E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. 3Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João. 4Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. 5E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. 6E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam. 7Estes eram, ao todo, uns doze varões.
- Atos 19:1-7
Muitas pessoas assumem que esses homens foram originalmente batizados por Apolo, mas não há nada na passagem que apoie isso. A principal diferença entre esses homens e Apolo era que ele era poderoso nas Escrituras e eles não eram (ou seja, não conheciam nada sobre o Espírito Santo). A semelhança era que eles conheciam e tinham recebido o batismo de João, assim como Apolo, e enquanto ele estava em Éfeso, Apolo não lhes exigiu que fossem rebatizados. Podemos concluir, no entanto, que eles receberam o batismo de João algum tempo depois de Pentecostes porque, depois de lhes ensinar mais completamente sobre Cristo e o Espírito Santo, Paulo rebatizou esses 12 discípulos (seguidores de Jesus).
É interessante notar duas coisas aqui:
- Paulo baseia suas perguntas sobre a recepção do Espírito Santo no tipo de batismo que eles tiveram, não no tipo de experiência ou sentimento que tiveram. Aqui ele está falando sobre a "habitação" do Espírito Santo que é dada e recebida através do batismo de Jesus, não do batismo de João (Atos 2:38).
- Paulo transfere o "empoderamento" do Espírito Santo pela imposição de suas mãos, e a evidência disso é que esses homens começam a falar em línguas e declaram a palavra de Deus com conhecimento e poder, algo que eles não podiam fazer antes de Paulo, com sua autoridade apostólica, impor as mãos sobre eles.
Estes então se tornam os primeiros convertidos legítimos em Éfeso.
Paulo Estabelece a Igreja em Éfeso (Atos 19:8-22)
8E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus. 9Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. 10E durou isto por espaço de dois anos, de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos.
- Atos 19:8-10
Vemos o padrão familiar de pregar aos judeus que reagiram negativamente, e Paulo voltando-se em seguida para os gentios. Lucas registra que Paulo passou muito tempo em Éfeso (dois anos) pregando exclusivamente aos gentios com sucesso, pois Lucas diz que o evangelho irradiou deste centro econômico e político para todas as partes da província romana ao redor, provavelmente por meio dos esforços de vários trabalhadores treinados e enviados deste local.
Lucas menciona que muitos milagres foram realizados por Paulo e que Deus o estava usando de maneira poderosa, a ponto de alguns tentarem imitar e usar seu nome para produzir milagres semelhantes, mas sem sucesso. Os resultados de seu ministério não foram vistos apenas em conversões e curas, mas muitos que praticavam as artes negras da magia e do ocultismo queimaram seus livros de magia e se voltaram para o Senhor com fé. Paulo, vendo seu trabalho e a igreja bem estabelecida, começa a fazer planos para revisitar as igrejas que havia plantado na região da Macedônia (Filipos, Tessalônica, Bereia) e na região da Acaia (Corinto, Atenas) antes de retornar a Jerusalém e iniciar uma possível quarta viagem missionária a Roma.
Ele está contemplando essas coisas quando surge um problema, não dos judeus que têm sido sua oposição habitual, mas dos gentios da região cujo sustento foi afetado por sua pregação e pelos ensinamentos de Cristo.
Motim em Éfeso (Atos 19:23-41)
Éfeso era uma cidade importante daquela região e época, e servia como um porto principal de entrada para a Ásia Menor, que é a atual Turquia. Havia um grande boulevard com 70 pés (21 metros) de largura que atravessava toda a cidade, e a população na época era de aproximadamente 300.000 pessoas. Muitas ruas eram revestidas de mármore e possuíam banhos públicos, e o teatro da cidade podia acomodar 50.000 espectadores. O templo de Diana (Ártemis na mitologia grega) estava localizado aqui e era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Na mitologia grega, Diana era descrita como filha dos deuses Zeus e Leto, e irmã gêmea de Apolo. Ela era venerada como a deusa da caça, dos animais selvagens, da natureza, do parto e protetora das jovens virgens. Situada ao redor da área do templo havia uma comunidade que abrigava artesãos que ganhavam a vida fabricando moedas, estátuas e outros artefatos em honra a Diana. Essas pessoas estavam organizadas em uma guilda ou sindicato e tinham considerável influência em uma cidade como Éfeso, onde cultura, religião e política se misturavam para formar o todo daquela sociedade.
Para essa cultura chega Paulo, o Apóstolo, que por dois anos prega e ensina que há somente um Deus (e não é Diana), e que a adoração e obediência a Deus se expressam por obedecer a Jesus. Parte do estilo de vida cristão exigia que se abandonassem ídolos inúteis, como Diana, e se dedicasse a vida e os recursos a Jesus, e não ao templo de Diana ou aos objetos religiosos vendidos ali. Havia de haver problemas.
23Naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. 24Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia, de prata, nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices, 25aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Varões, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; 26e bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos. 27Não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram a ser destruída.
- Atos 19:23-27
Lucas descreve a revolta e as ameaças contra Paulo que se seguem com a multidão arrastando alguns de seus companheiros para o teatro acompanhados de gritos e confusão. Eventualmente, um oficial da cidade acalma a multidão e os adverte de que poderiam ter problemas com os supervisores romanos por causa de sua reunião ilegal. Este evento sinaliza para Paulo que é hora de partir e seguir para outro lugar para continuar seu ministério.
Paulo em Trôade (Atos 20:1-12)
Lucas resume a jornada de Paulo pela Macedônia, encorajando as igrejas ali enquanto evitava outro complô judeu para prejudicá-lo. Ele finalmente chega a Trôade, o lugar onde recebera a visão que o levou ao ministério frutífero na Macedônia e na Acaia anos antes.
7No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até à meia-noite. 8Havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos. 9E, estando um certo jovem, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto. 10Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está. 11E, subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até à alvorada; e, assim, partiu. 12E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados.
- Atos 20:7-12
Lucas descreve este milagre de uma forma tão comum (um menino morre após uma queda de 9 metros e é trazido de volta à vida com apenas uma palavra). A habilidade de Lucas é que ele consegue descrever em detalhes grandes eventos espirituais, mas fazê-los parecer naturais, familiares e reais. Embora isso tenha ocorrido em uma cultura e época muito distantes de nós, ainda podemos nos relacionar com o estudo bíblico, a multidão, até mesmo com o sono do menino.
Despedida de Paulo de Éfeso (Atos 20:13-38)
O escritor continua seu relato meticuloso dos movimentos de Paulo ao descrever os detalhes da viagem do Apóstolo de Éfeso pela Macedônia, de volta a Trôade e agora para Mileto, uma cidade costeira ao sul de Éfeso.
Em Atos 20:16 aprendemos que o objetivo de Paulo é estar de volta a Jerusalém para o dia de Pentecostes, uma jornada que eventualmente lhe trará muito sofrimento. Uma vez em Mileto, Paulo convoca os presbíteros de Éfeso para virem e se encontrarem com ele para discutir várias questões importantes.
Situação Pessoal
17De Mileto, mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja. 18E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós, 19servindo ao Senhor com toda a humildade e com muitas lágrimas e tentações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram; 20como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas, 21testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. 22E, agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, 23senão o que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. 24Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. 25E, agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o Reino de Deus, não vereis mais o meu rosto. 26Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos; 27porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.
- Atos 20:17-27
Ele começa revisando e confirmando a base de seu ministério entre eles, que foi a pregação do evangelho. Declara que fez isso com plena confiança em sua verdade e poder. Também revela que o Senhor está dirigindo-o a retornar a Jerusalém (se dependesse dele, ele permaneceria no campo plantando e fazendo crescer igrejas; Jerusalém é a área de trabalho de Pedro e dos outros Apóstolos). Revela ainda que o sofrimento e a prisão o aguardam ali. Paulo então declara que esta é uma despedida final e lembra-lhes que pregou o evangelho completo e o confirmou com sua boa conduta, para que ninguém possa culpá-lo se perder a salvação.
Admoestação
28Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. 29Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. 30E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. 31Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós. 32Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele, que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados.
- Atos 20:28-32
Os comentários de Paulo sobre seu trabalho e conduta pessoal não são uma vanglória, mas um encorajamento a esses homens sobre como devem agir como líderes na igreja. Paulo, na prática, lhes diz: "Façam como eu fiz." Nestes versículos, ele também lhes dá um aviso para terem cuidado e atenderem à sua principal responsabilidade como presbíteros, que é proteger a igreja contra falsos mestres e falsos ensinamentos. É interessante ver Paulo usar três termos diferentes ao se referir a esses homens e ao seu ministério:
- Verso 17: Ancião/Presbítero - homem maduro/mais velho
- Verso 28: Supervisores/Bispos - guardião/líder
- Verso 28: Pastor - cuidador/líder
Na igreja primitiva, todos esses termos referiam-se às mesmas pessoas: aquelas encarregadas da liderança na igreja local. Ancião/presbítero denotava sua idade e experiência. Supervisor/bispo referia-se à sua autoridade e responsabilidades. Pastor/despenseiro descrevia seu trabalho e ministério. Somente muito mais tarde as igrejas, contrariamente às Escrituras, apropriaram-se desses nomes para descrever diferentes posições de autoridade. Por exemplo, um pastor ou sacerdote referia-se a um ministro local ou evangelista, e um bispo era um homem responsável por várias congregações ou uma região geográfica. Com o tempo, novos títulos foram inventados para descrever homens que exerciam autoridade além da congregação local: Arcebispo, Cardeal, Papa, etc. Hoje, esse afastamento das Escrituras levou alguns grupos a terem mulheres, bem como homossexuais e lésbicas praticantes, servindo como bispos em várias denominações.
O Novo Testamento, porém, ensina que cada congregação deve ter seus próprios anciãos/bispos/pastores juntamente com diáconos e evangelistas/pregadores, e essas pessoas têm responsabilidade de liderança apenas para uma congregação. Parte do esforço feito pela congregação à qual pertenço e sirvo (Igreja de Cristo Choctaw) é restaurar a estrutura e a ordem da igreja como foi projetada e descrita no Novo Testamento. Essa ideia de seguir cuidadosamente a palavra de Deus é exatamente o que Paulo encoraja os anciãos de Éfeso a fazerem se quiserem manter a integridade espiritual e bíblica da igreja para a qual foram feitos líderes pelo Espírito Santo. Todo ancião/bispo/supervisor/pastor desde então foi encarregado por Deus por meio de Sua palavra de assumir a mesma tarefa de guardar os ensinamentos do Novo Testamento e manter o plano para a organização e crescimento da igreja local encontrado no Novo Testamento. Esta é a única maneira de reproduzirmos a igreja do Novo Testamento semelhante à que lemos nas Escrituras nesta era moderna e em todas as eras futuras até que Jesus retorne.
32Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele, que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados. 33De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem a veste. 34Vós mesmos sabeis que, para o que me era necessário, a mim e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. 35Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.
36E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos e orou com todos eles. 37E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, 38entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio.
- Atos 20:32-38
Lucas termina o capítulo com o encorajamento final de Paulo a esses presbíteros para que sirvam como ele serviu (não por ganho financeiro) e sejam generosos (ele cita Jesus, "Mais bem-aventurado é dar do que receber" - versículo 35). A cena termina com uma despedida emocional, pois Lucas observa que esta será a última vez que esses irmãos verão Paulo.
Jornada para Jerusalém (Atos 21:1-14)
Lucas esboça brevemente a jornada que leva Paulo de volta a Jerusalém e os problemas que o aguardam lá. Ele recebe vários avisos para não retornar, mas está determinado a chegar à cidade.
7E nós, concluída a navegação de Tiro, viemos a Ptolemaida; e, havendo saudado os irmãos, ficamos com eles um dia. 8No dia seguinte, partindo dali Paulo e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesareia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. 9Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam. 10E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judeia um profeta, por nome Ágabo; 11e, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta cinta e o entregarão nas mãos dos gentios. 12E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém. 13Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. 14E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor!
- Atos 21:7-14
Note que Lucas inclui a si mesmo no grupo que adverte Paulo (ele escreve "nós"), e assim se coloca na narrativa. Isso explica como ele obteve os detalhes da jornada de Paulo.
Lições
Quero tirar algumas lições do nosso estudo, mas cada uma está relacionada a Apolo, o orador e professor profissional bem educado que foi instruído no evangelho por um humilde fabricante de tendas e sua esposa, provavelmente com a esposa assumindo a liderança no ensino do evangelho completo.
1. Deus Humilha Seus Servos Não Importa Quão Grandes Eles Sejam
Para que Apolo avançasse em seu serviço a Deus, esse grande homem teve primeiro que se humilhar para receber o que lhe faltava. A humildade é um requisito para quem deseja ministrar eficazmente em nome do Senhor.
2. Pregue e Ensine o Que Você Sabe Porque Nunca Saberá Tudo
Apolo carecia de algumas informações importantes sobre Jesus e o evangelho, mas ele avançou mesmo assim e Deus acrescentou o que ele precisava a seu tempo. Infelizmente, há momentos em que usamos nossa falta de conhecimento como desculpa para não servir de forma alguma.
Perguntas para Discussão
- Explique a diferença entre o batismo de João e o batismo de Jesus. Por que os 12 discípulos precisaram ser rebatizados e Apolo não?
- Como você explicaria que a capacidade de curar milagrosamente ou falar em línguas não está mais disponível? Na sua opinião, como você explica o fato de que muitos ainda acreditam que o poder milagroso está disponível hoje?
- Explique como a Bíblia substitui a capacidade de fazer milagres ou profetizar na obra contínua da igreja.


