Última Páscoa até a Semana da Crucificação (continuação)
Estamos revisando os eventos que ocorreram na sexta seção intitulada "Última Páscoa e Semana da Crucificação." No último capítulo, Jesus chegou a Jerusalém e confrontou todos os líderes religiosos ali presentes. Eles O rejeitaram e Ele pronunciou juízo sobre eles e sobre a nação de Israel, descrevendo os eventos que acontecerão quando Jerusalém for destruída cerca de quarenta anos no futuro. A última cena mostra Judas conspirando com a liderança judaica para entregar Jesus em suas mãos.
Dividimos esses eventos finais nos diferentes dias daquela última semana. Até agora, examinamos os eventos que ocorreram de domingo a quarta-feira. Neste capítulo, retomamos a história na manhã de quinta-feira, enquanto Jesus se prepara para a ceia da Páscoa.
Quinta-feira – 6 de abril
129. Discípulos enviados para preparar a ceia da Páscoa
Mateus 26:17-19; Marcos 14:12-16; Lucas 22:7-13
A refeição da Páscoa estava para acontecer no dia seguinte (que começaria naquela noite). Jesus envia Pedro e João para irem à frente e prepararem a refeição. Ele lhes diz que devem entrar na cidade e encontrarão um homem carregando água (fácil de identificar, pois geralmente as mulheres faziam esse trabalho) e essa pessoa os conduziria ao aposento onde deveriam preparar a festa. Preparar significava providenciar o cordeiro sacrificado no templo e a carne cozida, pão sem fermento, ervas amargas (pepino, alface em molho amargo), vinho, bem como almofadas, copos, pratos, água e toalhas para o costume do lava-pés. Jesus sabia que encontrariam o homem. Alguns dizem que Ele havia preparado tudo com antecedência, mas o texto sugere que o Senhor usou Seu conhecimento divino para preparar tudo isso.
Sexta-feira – 7 de abril
130. Jesus come a Páscoa com os Apóstolos
Mateus 26:20-25; Mateus 26:31-35; Marcos 14:17-21; Marcos 14:27-31; Lucas 22:14; Lucas 22:21-38
Cada evangelista descreve este evento chave e cada um coloca alguns detalhes em ordem diferente. Mateus e João estavam presentes, então, ao combinar seus relatos, esta parece ser a forma como aconteceu naquela noite.
- Jesus reúne os doze no cenáculo para celebrar a Páscoa.
- Pedro e João haviam preparado o jantar e tomado seus lugares mais próximos a Jesus. Como resultado, surge uma disputa sobre quem é o maior.
- Jesus lhes diz que os maiores são aqueles que servem e promete que eles estarão no reino.
- Após esse ensinamento, Ele pega a água e a toalha preparadas para a lavagem dos pés e lava os pés de todos, inclusive os de Judas.
- A água e a toalha eram usadas por um servo para lavar os pés dos convidados.
- Nenhum dos apóstolos queria se humilhar para prestar essa cortesia uns aos outros.
- Jesus o faz para demonstrar seu ensinamento sobre o serviço.
- Depois de tomar seu lugar à mesa, Ele indica que há um traidor entre eles.
- Ele mostra a Pedro e João quem é, oferecendo a Judas um pedaço de pão molhado nas ervas amargas.
- Depois disso, Judas sai da sala.
- Após a saída de Judas, Jesus ora pelos apóstolos e pelo que farão após sua morte.
- Ele ora para que Pedro esteja seguro dos ataques de Satanás.
- Ele prevê o abandono deles e como os restaurará.
- Ele lhes diz que os encontrará novamente na Galileia.
Todas essas coisas acontecem enquanto eles compartilham a refeição tradicional da Páscoa.
131. Jesus inicia a Ceia do Senhor
Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25; Lucas 22:15-20
Durante o tempo de Jesus, os judeus comiam a Páscoa da seguinte maneira:
- A carne representava o sacrifício morto em seu favor.
- As ervas amargas representavam a amarga experiência deles no Egito.
- O pão sem fermento representava a pressa com que partiram.
- O vinho representava duas coisas: o sangue derramado no Egito e a boa vida na Terra Prometida.
- O chefe da casa oferecia orações, comia e bebia os 4 copos de vinho, e os outros seguiam seu exemplo.
- Em algum momento, uma criança perguntava por que faziam isso, e o chefe recontava a história do êxodo dos judeus do Egito.
Jesus serviu como líder e os conduziu durante a refeição. Quando a comida acabou e restava apenas um pedaço de pão ázimo e o cálice final de vinho para beber, Ele mudou o significado da refeição.
- A partir de agora, o pão representaria Seu corpo oferecido pelo pecado.
- A partir de agora, o vinho representaria Seu sangue derramado para obter vida para os pecadores.
Esta refeição memorial não mais lembraria a liberdade dos judeus da escravidão egípcia, agora comemoraria a sua própria liberdade pessoal da escravidão do pecado, por causa do Seu corpo e sangue.
132. Discurso de despedida e oração
Esta é a passagem mais longa e ininterrupta onde Jesus fala que está contida no Novo Testamento.
Esta longa oração e exortação foi dada enquanto eles estavam em pé (João 14:31) no cenáculo. Nela Ele aborda muitas coisas:
- Uma garantia de que Ele é o caminho para o céu e que Ele preparará um lugar para eles.
- Uma garantia de que seus pedidos a Deus em Seu nome serão atendidos.
- Uma promessa da vinda do Espírito Santo para confortá-los e ensiná-los.
- Uma exortação a permanecerem fiéis e frutíferos e a tirar força dEle como um ramo tira da videira.
- Um aviso sobre futuras perseguições.
- Uma explicação do que o Espírito Santo fará por eles e neles quando vier (convencer, confortar, inspirar).
- Um encorajamento para não desistirem quando forem rejeitados pelo mundo, que Ele estará com eles e lhes dará paz (neste momento todos confessam sua fé nEle).
- Uma oração a Deus em favor deles para que Deus os una, proteja e glorifique a Si mesmo por meio deles.
Uma vez que Ele termina este longo discurso, eles cantam o Hallel (Salmos 115-118) e partem do cenáculo.
133. A agonia e a traição no jardim
Mateus 26:30; Mateus 26:36-56; Marcos 14:26; Marcos 14:32-52; Lucas 22:39-53; João 18:1-12
O Monte das Oliveiras, no lado leste de Jerusalém, estava coberto de oliveiras e tinha um lagar de azeite onde o óleo era produzido (Getsêmani = lagar de azeite).
Jesus leva Seus Apóstolos ali para orar com Ele durante Suas últimas horas. Ele traz Pedro, Tiago e João mais profundamente para o jardim e então encontra um lugar isolado para orar. Três vezes Ele volta para encontrar os Apóstolos dormindo enquanto Ele agonizava em oração sobre o que estava para acontecer.
Sua oração final é tão intensa que Ele sua sangue e eventualmente aceita (Sua natureza humana aceita) a vontade do Senhor para Sua crucificação. Enquanto isso, Judas organizou uma multidão de pessoas para vir e prendê-Lo, o que faz beijando Jesus para indicar qual dos homens eles deveriam prender. Pedro corta a orelha de um dos homens ali (Malco) e Lucas diz que Jesus o curou (Seu último milagre). A multidão o leva embora enquanto os apóstolos se dispersam para sua segurança. Pedro e João seguem a multidão para ver o que acontecerá.
134. Jesus diante do Sumo Sacerdote
Mateus 26:57-68; Marcos 14:53-72; Lucas 22:54-71; João 18:13-27
No começo, Jesus é levado perante Anás, sogro do sumo sacerdote Caifás. Eventualmente, um conselho é convocado no meio da noite com o sumo sacerdote presidindo.
Enquanto isso, Pedro (e alguns pensam que João) conseguiu entrar no pátio e é desafiado ali como discípulo do prisioneiro, Jesus, o que ele nega veementemente três vezes (assim como Jesus lhe havia dito).
Durante este "julgamento" (ilegal porque foi à noite) testemunhas são apresentadas para acusar Jesus, mas seu testemunho é contraditório. Finalmente, o Sumo Sacerdote pergunta diretamente a Jesus, e o Senhor reconhece Sua identidade divina. Com base nesta confissão, o Sumo Sacerdote condena Jesus à morte por blasfêmia e começam a esbofeteá-Lo e zombar d'Ele.
135. Jesus diante de Pilatos e Herodes
Mateus 27:1-2; Mateus 27:11-30; Marcos 15:1-19; Lucas 23:1-25; João 18:28-19:16
Os judeus não tinham permissão para executar ninguém, então precisavam convencer os oficiais romanos de que um prisioneiro era digno de morte. Pilatos era o procônsul romano e controlava a província com soldados romanos. Ele nomeava o sumo sacerdote, controlava o tesouro e até mantinha as vestes do sumo sacerdote (liberando-as para os festivais).
As aparições de Jesus diante de Pilatos ocorreram da seguinte maneira:
- Os judeus trazem Jesus acusando-O e exigindo Sua morte. Pilatos O interroga e depois O envia a Herodes.
- Herodes tenta fazer Jesus realizar um milagre para ele e, quando isso falha, O envia de volta a Pilatos.
- Pilatos interroga Jesus novamente, não encontrando motivo para a execução, e tenta libertar Jesus segundo a tradição de libertar um prisioneiro na Páscoa, mas a multidão escolhe libertar Barrabás em vez de Jesus.
- A esposa de Pilatos o adverte contra condenar Jesus, mas ele cede à pressão da multidão e entrega Jesus aos soldados para execução.
- Uma vez condenado, os soldados começam a torturar Jesus, humilhá-Lo e prepará-Lo para Sua execução.
136. O Suicídio de Judas
Depois de ver o que aconteceu, Judas é tomado pela culpa porque traiu um homem inocente. Ele ainda não crê em Jesus como Messias, apenas que Jesus é inocente. Ele devolve o dinheiro e se enforca em desespero.
137. Jesus é crucificado
Mateus 27:31-44; Marcos 15:20-32; Lucas 23:26-38; João 19:16-22
Jesus carrega Sua própria cruz (com ajuda de Simão de Cirene) até o lugar da execução, o Gólgota (o lugar da caveira). Oferecem-lhe vinho misturado com fel para que possam crucificá-lo sem resistência, mas Ele recusa. É crucificado entre dois ladrões enquanto eles e a multidão zombam e o desafiam a salvar a Si mesmo.
Uma vez que Ele é preso com pregos e erguido em posição vertical, Ele pede ao Pai que perdoe Seus algozes. Os romanos colocam uma placa acima de Sua cabeça que diz "rei dos judeus", à qual os líderes judeus se opõem.
138. Jesus morre na cruz
Mateus 27:45-61; Marcos 15:33-47; Lucas 23:39-56; João 19:23-42
É impressionante como cada escritor fornece uma enorme quantidade de detalhes sobre o que aconteceu durante as poucas horas em que Jesus esteve na cruz:
- Um dos ladrões se arrepende do que disse e pede a Jesus que o salve, o que o Senhor faz prometendo que ele estará no paraíso.
- Os soldados lançam sortes e dividem Suas roupas.
- Jesus confia a João o cuidado de Sua mãe.
- Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã e do meio-dia às 15 horas o céu ficou escuro.
- Jesus clama a Deus para que não O abandone.
- Ele disse que estava com sede.
- Ele declara que Sua missão está completa dizendo: "Está consumado."
- Ele morre oferecendo Sua vida nas palavras: "Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito."
- Nesse momento, o véu do templo, na entrada do Santo dos Santos, rasgou-se em dois e muitos dos que estavam mortos saíram de seus túmulos (mas somente após Sua ressurreição).
- Houve um terremoto e, por causa desses sinais, até o centurião aos pés da cruz creu.
Uma vez que Ele morreu, os soldados traspassaram o Seu lado para ter certeza e o processo de sepultamento começou.
- José de Arimateia vem reclamar o corpo de Pilatos e junto com Nicodemos envolvem o corpo de Jesus e o colocam em um túmulo novo pertencente a José.
- Maria Madalena e Maria (mãe de José), que era irmã da mãe de Jesus (tia do Senhor), permaneceram junto ao túmulo até o pôr do sol e o início do sábado.
O objetivo deles era preparar corretamente o corpo para o sepultamento, mas com o pôr do sol e o início do sábado, não puderam fazer isso e, portanto, planejaram retornar no domingo para terminar sua tarefa.
Sábado – 7 de abril
O Senhor está sepultado, as multidões se dispersaram, mas os judeus ainda estão tentando garantir que Sua influência seja extinta.
139. Pilatos sela o túmulo
Os líderes judeus temiam que os seguidores de Jesus roubassem o corpo e alegassem ressurreição para manter seu movimento vivo. Pilatos não apenas coloca um selo na entrada do túmulo para evitar violação, mas também permite que os judeus adicionem guardas para frustrar qualquer tentativa de remover o corpo.
Lições
Para este capítulo, faço uma observação importante em vez de lições práticas do material que cobrimos.
1. Mantenha o principal como o principal
Os escritores dedicaram mais tempo escrevendo sobre os eventos que cobriram algumas horas da morte e ressurreição de Jesus do que sobre todos os três anos de ministério. O Espírito Santo faz deste o evento central em nossa religião. Se assim é, então precisamos lembrar de:
- Entender e ensinar isto como nossa doutrina central (morte e ressurreição de Cristo para salvar a humanidade) e não se desviar por questões secundárias.
- Dar maior importância à participação na comunhão a cada semana porque ela representa a questão central de nossas vidas espirituais.
Não devemos apenas falar onde a Bíblia fala, devemos também enfatizar o que a Bíblia enfatiza.
LEITURA DESIGNADA PARA O CAPÍTULO 13
- Mateus 28:2-4
- Mateus 28:1; Marcos 16:1-4; Lucas 24:1-3; João 20:1-2
- Mateus 28:5-7; Marcos 16:5-8; Lucas 24:4-8
- Marcos 16:11; Lucas 24:12; João 20:3-10
- Marcos 16:9; João 20:11-18
- Mateus 28:8-10
- Mateus 28:11-15
- Lucas 24:34
- Marcos 16:12-13; Lucas 24:13-35
- Lucas 24:36-49; João 20:19-23
- Marcos 16:14; João 20:24-31
- Mateus 28:16-20; Marcos 16:15-18
- João 21:1-25
- 1 Coríntios 15:6-8
- Marcos 16:19-20; Lucas 24:50-53
Perguntas para Discussão
- Resuma as seguintes ações de Jesus:
- Discípulos enviados para preparar a ceia da Páscoa (Mateus 26:17-19; Marcos 14:12-16; Lucas 22:7-13)
- Jesus come a Páscoa com os Apóstolos (Mateus 26:20-25; 31-35; Marcos 14:17-21; 27-31; Lucas 22:14, 21-38; João 13:1-38)
- Jesus institui a Ceia do Senhor (Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25; Lucas 22:15-20)
- Discurso de despedida e oração (João 14:1-17:26)
- A agonia e traição no jardim (Mateus 26:30, 36-56; Marcos 14:26; 32-52; Lucas 22:39-53; João 18:1-12)
- Jesus diante do Sumo Sacerdote (Mateus 26:57-68; Marcos 14:53-72; Lucas 22:54-71; João 18:13-27)
- Jesus diante de Pilatos e Herodes (Mateus 27:1-2; 11-30; Marcos 15:1-19; Lucas 23:1-25; João 18:28-19:16)
- Suicídio de Judas (Mateus 27:3-10)
- Jesus é crucificado (Mateus 27:31-44; Marcos 15:20-32; Lucas 23:26-38; João 19:16-22)
- Jesus morre na cruz (Mateus 27:45-61; Marcos 15:33-47; Lucas 23:39-56; João 19:23-42)
- Pilatos sela o túmulo (Mateus 27:62-66)
- De tudo o que Jesus suportou durante Sua traição, prisão, julgamento e cruz, qual foi o mais severo e o que isso significa?
- Como você pode usar esta lição para crescer espiritualmente e ajudar outros a entrarem em um relacionamento com Jesus?


