Da Fé à Hostilidade

Em João 8:31 o Apóstolo registra que Jesus "dizia aos judeus que haviam crido nele: 'Se vocês permanecerem na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos'." À primeira vista, esta declaração parece contraditória com o que se segue, pois o mesmo grupo de pessoas torna-se cada vez mais antagonista a Jesus à medida que o diálogo se desenrola. Como podemos reconciliar a "fé" com a eventual hostilidade demonstrada nos versículos posteriores?
A explicação está nos diferentes tipos de crença que João registra em seu Evangelho. Às vezes, crença descreve fé genuína (João 6:68-69). Outras vezes, é uma fé superficial ou incompleta, baseada em sinais ou palavras que impressionam, mas não levam à entrega (João 2:23-25). A multidão em João 8 demonstra esse segundo tipo. Eles estavam intrigados e atraídos pelas afirmações de Jesus, mas quando Seu ensino expôs seu pecado e falsa segurança, sua crença superficial deu lugar à ira.
À medida que o diálogo avança, vemos estágios distintos de oposição:
1. Mal-entendido sobre a Liberdade (vv. 33-36).
Jesus promete liberdade, mas os judeus protestam que nunca foram escravizados – ignorando tanto sua escravidão histórica quanto sua atual sujeição a Roma. Seu orgulho os impede de compreender sua escravidão espiritual ao pecado.
2. Defensividade sobre a Herança (vv. 37-41).
Jesus desafia a sua alegação de Abraão como pai, dizendo que suas ações revelam outra lealdade. Eles respondem com uma réplica defensiva: "Não somos filhos da fornicação; temos um Pai, que é Deus." Muitos estudiosos veem nesta declaração uma insinuação velada dirigida a Jesus, aludindo às questões em torno do Seu próprio nascimento. Em vez de se humilharem, atacam Sua reputação pessoal, aumentando a tensão na troca.
3. Rejeição de Sua Origem (vv. 42-47).
Jesus declara claramente que a recusa deles em ouvi-Lo prova que são filhos do diabo, não de Deus. Esta acusação contundente os provoca ainda mais, expondo sua relutância em aceitar Sua autoridade.
4. Insultos e Escalada (vv. 48-52).
Incapazes de refutar Seus argumentos, recorrem a insultos, acusando-O de ser samaritano e endemoninhado. Sua hostilidade revela a dureza de seus corações.
5. Intenção Violenta (vv. 53-59).
Finalmente, quando Jesus declara Sua identidade eterna ("Antes que Abraão existisse, eu sou"), eles tentam apedrejá-Lo por blasfêmia. O que começou como interesse termina em intenção assassina.
Lições Extraídas do Texto
- Nem toda crença é fé salvadora. A simples aceitação das palavras de Jesus sem submissão não resistirá à prova.
- A verdade expõe lealdades ocultas. Quando confrontadas, as pessoas ou se humilham ou reagem com ira.
- A oposição pode se tornar pessoal. Como com Jesus, a resistência à verdade frequentemente muda de argumentos para ataques ao caráter.
- Jesus permanece consistente. Apesar da hostilidade, Ele não suaviza Suas reivindicações, mas revela fielmente Sua identidade divina.
Esta passagem nos lembra que o discipulado é mais do que a crença inicial – requer permanecer na palavra de Jesus, o que separa a fé verdadeira do interesse superficial.
- Como João distingue entre a fé genuína e a superficial em seu Evangelho?
- O que a hostilidade progressiva neste trecho revela sobre a resistência humana à verdade?
- Como os crentes hoje podem se proteger contra uma fé superficial que desmorona sob pressão?
- Discussão do ChatGPT, "Da Crença à Hostilidade," 16 de setembro de 2025
- D.A. Carson, O Evangelho Segundo João, Eerdmans, 1991
- Leon Morris, O Evangelho de João, NICNT, Eerdmans, 1971
- Merrill C. Tenney, João: O Evangelho da Crença, Eerdmans, 1976

