A Pregação de Jesus

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Quer você se chame ministro, evangelista, missionário ou pregador, a única coisa que o une a todos os outros no serviço do Senhor é a tarefa comum de pregar. Pregadores sempre têm opiniões sobre a pregação ou estilos de pregação ou o que é necessário para um bom sermão. Junte dois deles e os ministros logo estarão discutindo e compartilhando sermões favoritos, ideias ou opiniões concernentes a esse papel central em seu ministério.

É neste espírito, portanto, que ofereço um breve ensaio sobre a pregação que, de uma forma ou de outra, todos nós tentamos imitar – a pregação do próprio Jesus. Talvez, ao examinar Seu estilo e abordagem a esta obra gloriosa, possamos nos tornar mais do que todos nós buscamos ser, como Ele.

Jesus e o Ministério da Pregação

Jesus é o pregador por excelência e examinaremos Seu estilo muito único, mas primeiro precisamos estabelecer alguns fatos básicos sobre a pregação em si.

A História da Pregação

Pregação é um dos ministérios mais antigos. Pedro refere-se a Noé como "... pregador da justiça" (2 Pedro 2:5), e o Antigo Testamento foi registrado principalmente por aqueles que estavam envolvidos na obra da pregação. Profetas como Jeremias, Isaías, Amós e outros eram, essencialmente, os pregadores daquela época que também possuíam o dom da profecia. Grande parte do que lemos em seus livros são seus sermões e exortações aos reis e ao povo daquele período. Até Salomão se refere a si mesmo como "o pregador" no livro de Eclesiastes.

No Novo Testamento, João Batista é chamado de "profeta", mas sua principal obra foi realizada através do ministério da pregação. De João, passando por Jesus até os Apóstolos, podemos traçar este ministério como o componente principal no esforço de Deus para comunicar Sua vontade, promessas e amor ao homem e o ministério chave na obra de edificar o reino de Deus aqui na terra,

Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.

- 1 Coríntios 1:21

Como tipo de ministério, é um dom e papel dado somente a alguns pelo Espírito Santo por meio de Cristo.

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

- Efésios 4:11

Desde o princípio, Deus tem usado pregadores como Sua boca. É apropriado, portanto, que Jesus faça Sua aparição nesta terra não como sacerdote (embora Ele seja nosso Sumo Sacerdote perfeito – Hebreus 10:21) e não como advogado (embora com Seu sacrifício Ele entre na presença de Deus para ser nosso advogado de misericórdia – Hebreus 10:1-14), mas como pregador comunicando perfeita e completamente a vontade final de Deus para toda a humanidade.

1Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, 2a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.

- Hebreus 1:1-2

Os Pregadores

Como mencionei antes, os profetas eram pregadores abençoados com o dom especial da inspiração e sua pregação vinha diretamente do Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21). Contudo, nem todos os pregadores eram profetas inspirados.

A palavra "pregar" ou "pregação" vem de uma palavra grega que quase sempre significava a proclamação das boas novas acerca de Jesus. No Antigo Testamento, a palavra referia-se a alguém que trazia qualquer mensagem que alegrava os ouvintes (1 Samuel 31:9), mas nos tempos do Novo Testamento a palavra tornou-se exclusivamente ligada à proclamação das Boas Novas (Evangelho) de Jesus Cristo.

No Novo Testamento temos vários modelos do pregador moderno. Eles não foram divinamente inspirados ou escolhidos diretamente por Jesus (como os Apóstolos), mas, no entanto, serviram como proclamadores de Deus das boas novas. Esses homens foram escolhidos e ordenados pela igreja, treinados por mestres humanos e pregavam a mensagem já registrada pelos profetas e apóstolos antes deles, assim como os pregadores fazem hoje. Há muitos cuja identidade não conhecemos, mas o Novo Testamento nomeia alguns como Estêvão, Filipe, Timóteo e Tito, como alguns dos mais conhecidos.

Jesus, portanto, foi um destes, um pregador. Ele trabalhou como pregador itinerante anunciando as boas novas do reino. Ele foi capacitado e inspirado como o Filho de Deus, mas serviu ao Seu povo como pregador e mestre.

Jesus e a Mecânica da Pregação

Para discutir a pregação de Jesus, devemos primeiro entender a mecânica deste trabalho para que possamos apreciar melhor o que e quão bem Ele pregou. A pregação tem três componentes básicos:

A. Comunicação Eficaz

Os princípios que se aplicam a toda forma de comunicação pública aplicam-se também à pregação. As regras sobre postura, voz, inflexão, gestos, contato visual que fazem de uma pessoa um bom orador público são também necessárias para produzir um bom pregador.

Em alguns casos, alguém pode ter uma memória fantástica para a história, mas acaba sendo um professor entediante porque sua voz é monótona, ou ele nunca faz contato visual, ou não é entusiasmado com seu material. O mesmo é verdade para os pregadores. Muitos são homens bons, santos e conhecedores, mas são comunicadores pobres, por isso não são eficazes como pregadores.

Jesus, porém, era um comunicador dinâmico e eficaz em toda situação. Claro que Ele tinha grande poder e recursos, mas sabia como e quando usá-los. Por exemplo,

  • Ele nunca perdeu a compostura ao debater com os fariseus enquanto eles tentavam provocá-lo e desacreditá-lo (Mateus 12:1-ss - questão da violação do sábado).
  • Ele podia galvanizar grandes multidões (Mateus 4:25 – multidões o seguiam de cidade em cidade) ou ensinar um pequeno grupo de discípulos especialmente escolhidos (Mateus 5:1 – Sermão da Montanha).
  • Ele sabia como falar aos enfermos, aos excluídos e aos desanimados (Mateus 8-9 – o endemoninhado, o paralítico), e comunicava-se com igual eficácia com os religiosos (chefe da sinagoga – Mateus 9:18), ou com os pagãos (a mulher siro-fenícia – Mateus 15:21).
  • Ele também podia falar com governantes (saduceus e Pilatos – Mateus 22:23; 27:11) ou conectar-se com crianças (Mateus 19:13) e fazia ambos bem.

Alguns dizem que Ronald Reagan, o ex-presidente americano, foi o 'grande comunicador' por causa do seu uso eficaz dos meios de comunicação. Isso pode ser verdade, mas o maior comunicador foi Jesus Cristo porque Ele sempre podia conectar-se com Sua mensagem (seja conforto, uma repreensão severa ou as boas novas do reino). Ele podia alcançar grupos ou indivíduos, falar no Templo ou em um monte. Todos em todo lugar estavam conectados quando Ele lhes dirigia a palavra.

Claro, nem todos gostaram do que Ele disse e nem todos creram no que Ele disse, mas todos sabiam e lembravam do que Ele disse. Em Mateus 27:63 os principais sacerdotes e fariseus citam na verdade uma parte do sermão de Jesus acerca de Sua ressurreição, numa tentativa de fazer com que Pilatos colocasse guardas extras em Seu túmulo. O fato de que até os inimigos de Jesus O citavam com precisão demonstra quão eficazmente Ele foi capaz de comunicar.

B. Estilos de Sermão

A maioria dos sermões se enquadra em três categorias principais e grande parte do treinamento que os pregadores recebem envolve aprender como desenvolver lições dentro desses quadros.

1. Sermões Textuais - São lições baseadas em um texto da Bíblia. São chamados textuais porque a maioria dos pontos ou "lições" são extraídos diretamente desse único texto. Por exemplo, um sermão baseado na parábola do Filho Pródigo geralmente permanecerá com esse único texto em Lucas 15:11-32 e as conclusões, comparações e aplicações práticas decorrerão da história do filho perdido.

2. Sermões Temáticos - Estes sermões abordam um determinado tema (batismo; o papel das mulheres na igreja; lidar com a ira, etc.) e tentam resumir o que a Bíblia tem a dizer sobre eles. Aqui o pregador começa com uma única ideia ou tema e desenvolverá um corpo de informações bíblicas referentes a esse assunto.

3. Sermões Expositivos - Uma lição expositiva é muito semelhante a um sermão textual, exceto que o pregador está focando no significado de uma passagem particular. Ele fará isso explicando o significado das palavras em suas línguas originais ou fornecendo informações de fundo sobre as condições históricas e sociais daquela época para ajudar os outros a entenderem a passagem no contexto.

É por esta razão que ensinar o livro do Apocalipse, por exemplo, requer muita exposição. Os símbolos e a linguagem não são tão familiarmente conhecidos como a linguagem encontrada na parábola do filho pródigo, portanto, é necessário muito mais desenvolvimento de contexto. No final, a pregação expositiva busca encontrar o significado essencial da passagem e então aplicar essas lições a uma audiência moderna.

Existem outras subcategorias de tipos de sermões (ou seja, biográficos, geográficos, estudos de palavras, etc.), mas sermões textuais, tópicos e expositivos são a base das lições de todo pregador.

Embora possamos categorizar algumas abordagens comuns da pregação bíblica moderna, torna-se evidente ao observar o estilo de pregação de Jesus que essas categorias são limitadas.

Estilo de Pregação de Jesus

Jesus usou todos os estilos e, em algumas ocasiões, misturou estilos na mesma lição. Digo isso para estabelecer o fato de que qualquer tentativa de encaixar Seu ensino em uma caixa é inútil, porque o Seu é o ensino no qual o nosso se baseia. Para o propósito deste artigo, entretanto, gostaria de demonstrar alguns dos métodos que Ele usou e que estão registrados no Novo Testamento.

a. Pregação Textual

É difícil discutir os sermões textuais de Jesus porque Ele criou os textos dos quais pregamos. No entanto, às vezes, Ele fez sermões textuais baseados em Seus próprios textos!

Por exemplo, na parábola do Semeador e da Semente (Mateus 13:3-9) Jesus começa com uma parábola como texto básico e então segue com um sermão textual explicando por que Ele usou parábolas e o que esta significava (Mateus 13:10-23).

b. Pregação Temática

Muito do ensino do Senhor tratava de vários temas relevantes para o povo a quem Ele falava. Os temas eram baseados em quem Ele estava lidando no momento. O Sermão do Monte (Mateus 5-7), por exemplo, trata do tema do caráter. O tipo de caráter que se encontra no reino daqueles que são cristãos.

Mais adiante há uma lição para os Apóstolos sobre o tema do verdadeiro discipulado (Mateus 10:5-42). A lista continua enquanto Jesus esclarece e refocaliza o verdadeiro significado do ensino existente nas Escrituras naquela época e fornece nova revelação de Deus. Qualquer que seja o "tema" que pregamos hoje, Jesus ou o revelou, ou o confirmou e esclareceu para nós há 2.000 anos.

c. Pregação Expositiva

Embora muitos pregadores pensem que este é o único tipo de pregação que deve ser feito, foi o menos usado pelo Senhor. As pessoas a quem Jesus se dirigia entendiam a língua, portanto não havia necessidade de traduzir ou explicar os significados das raízes. Além disso, estavam familiarizadas com os contextos sociais e históricos que hoje temos que recriar com estudo e pesquisa. Os ouvintes de Jesus podiam captar cada entonação de voz e gesto, que são tão importantes para uma comunicação eficaz. Por essa razão, havia menos necessidade de Jesus explicar a história e o significado das palavras aos Seus contemporâneos.

O Senhor fez algum trabalho expositivo, mas principalmente ao lidar com os fariseus. Houve muitas confrontações onde Ele explicou ou esclareceu certas passagens ou conclusões que eles haviam entendido mal ou deturpado. Por exemplo:

  • Mateus 12:3-7 – Ele explica uma exceção à regra de comer o pão da proposição pelos sacerdotes quando Davi o comeu por necessidade.
  • Mateus 15:1-14 – Ele explica como os fariseus aplicaram erroneamente a lei do "Corbã" ao negar o sustento financeiro aos seus pais.
  • Mateus 19:1-12 – Ele explica a interpretação e aplicação correta da lei referente ao casamento e ao divórcio.
  • Mateus 22:29-33 – Ele corrigiu a falsa conclusão dos saduceus sobre a ressurreição, baseada no uso equivocado do verbo "sou" em uma referência do Antigo Testamento.

Existem muitos outros exemplos, mas estes demonstram amplamente o domínio absoluto de Jesus sobre as Escrituras e Sua capacidade de explicar cada versículo perfeitamente dentro do contexto de toda a Bíblia. E por que não ter o estilo perfeito? Ele não é a Palavra feita carne (João 1:1-13)? Ele sabe como usar a Palavra e comunicá-la porque é o produto do Seu Espírito; Sua Mente; Seu conhecimento; e Seu poder!

C. Relevância

Finalmente, há a questão da relevância. Professores de homilética chamam isso de fator "e daí", "O que você está pregando é significativo, pode ser usado, há um propósito?"

Objetivos da Pregação

Para que a pregação tenha um propósito e seja relevante, ela deve ter um objetivo específico. Existem inúmeros objetivos de pregação, mas a maioria são variações dos seguintes sete:

  1. O objetivo evangelístico – O objetivo é convocar a igreja para alcançar. A necessidade de ser evangelístico. Como ser um ganhador de almas, salvos nós mesmos.
  2. O objetivo devocional – O objetivo é inspirar temor e reverência a Deus (sermões sobre poder e graça).
  3. O objetivo ético – O objetivo é ensinar o certo do errado, comportamento, motivar ao amor.
  4. O objetivo consagrativo – O objetivo é maior compromisso (lições de discipulado).
  5. O objetivo doutrinário – O objetivo é descobrir o que a Bíblia diz?
  6. O objetivo de apoio – O objetivo é encorajamento no sofrimento (Salmos 23).
  7. O objetivo da fé – Pregação da morte, sepultamento, ressurreição de Jesus; cruz, bem como sermões centrados em Cristo.

Pregadores têm que constantemente misturar todas essas variáveis para fornecer uma dieta espiritual equilibrada. Isso significa pregar tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, bem como mudar sua abordagem de tópica para textual e expositiva, garantindo que tenham um objetivo claro de pregação em cada lição.

É por isso que a pregação às vezes se torna monótona. Alguns pregadores ficam presos a um estilo ou martelam o mesmo objetivo semana após semana sem perceber. Normalmente, os membros começam a dizer: "É a mesma coisa de sempre toda semana." O sermão é diferente, mas o estilo e o objetivo nunca mudam. Lembro-me de um pregador que acabava condenando o uso de instrumentos no culto, não importando qual texto ele começasse em sua lição. Toda semana seu título e texto eram diferentes, mas seu ponto era sempre o mesmo.

Jesus, é claro, não teve tal problema. Ele cobriu cada objetivo usando várias abordagens. Pode-se facilmente encontrar todos os objetivos de pregação listados acima apenas em Seus sermões em Mateus.

  • Mateus 28:18 – "Portanto, ide e fazei discípulos..." (Evangelístico)
  • Mateus 7:7 – "Pedi, e dar-se-vos-á..." (Devocional)
  • Mateus 5:9 – "Bem-aventurados os pacificadores..." (Ético)
  • Mateus 10:37 – "Quem ama pai ou mãe mais do que a Mim não é digno de Mim" (Consagracional)
  • Mateus 19:6 – "Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem." (Doutrinário/ético)
  • Mateus 25:28 – "Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos" (De apoio)
  • Mateus 26:26 – "Tomai, comei, isto é o Meu corpo..." (Fé)

Jesus não apenas pregou sobre esses objetivos, Sua vida inteira foi vivida de tal maneira que esses objetivos agora são possíveis para nós pregarmos. Sua própria vida foi um sermão, um sermão que refletiu todos os estilos e alcançou todos os objetivos.

Resumo

Para concluir este ensaio, gostaria de examinar brevemente uma passagem no evangelho de Mateus (Mateus 5) onde Jesus demonstra Sua incrível habilidade de combinar e alcançar vários objetivos de pregação dentro de um estilo de ensino simples.

Nesta seção, Jesus dá aos Seus discípulos uma visão geral de como é a vida cristã e o viver no reino, e quão diferente é da vida que eles estão experimentando no mundo. O estilo ou abordagem da lição de Jesus aqui é claramente "topical", pois Ele aborda uma variedade de questões e assuntos relevantes ao reino e à sua natureza. O que é impressionante sobre o sermão, entretanto, é que ele alcança tantos objetivos dentro da mesma lição. Por exemplo,

  1. As bem-aventuranças cumprem o objetivo "de apoio" ao encorajar os ouvintes apesar da dificuldade de viver no reino. "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados." 5:4
  2. A discussão sobre "sal e luz" promove o estilo de vida "ético" exigido no reino. "Deixai a vossa luz brilhar: 5:16
  3. Quando Jesus diz "Ouvistes que foi dito..." Ele está esclarecendo questões doutrinárias que haviam sido mal interpretadas. 5:27

A lista de objetivos alcançados continua e continua enquanto Ele avança na lição. Jesus usou todos os estilos, alcançou todos os objetivos e, enquanto ensinava pessoalmente, estabeleceu grande parte dos textos dos quais pregamos hoje.

Este artigo não tem um final "definido" porque não há fim para o que pode ser dito sobre a pregação e o ensino de Jesus, apenas que será nosso modelo inesgotável até que Ele volte.

Nota: A transcrição desta lição foi feita eletronicamente e ainda não foi revisada.
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