3º Páscoa Até A Semana Final
Neste nosso 10º capítulo da vida de Jesus, revisaremos os eventos que ocorreram na fase final entre a terceira Páscoa e Sua semana final. Temos visto o padrão de movimento de Jesus ao entrar em Jerusalém para as grandes festas, para ensinar e proclamar Sua identidade com milagres e declarações sobre Sua divindade, e então retirar-se para a segurança da região norte quando as coisas se tornavam perigosas demais para Ele em Jerusalém.
Neste capítulo, examinaremos os eventos que ocorreram enquanto Jesus passava pela região norte pela última vez antes de entrar em Jerusalém para sofrer Sua prisão e crucificação.
Anteriormente, a liderança judaica havia sancionado oficialmente Sua morte, com Caifás, o sumo sacerdote, liderando a acusação, e assim Jesus retornou ao país do norte para uma última jornada de ministério com Seus Apóstolos.
107. Jesus cura dez leprosos
Lucas especifica que Jesus estava na fronteira da Samaria e a caminho de Jerusalém. Dez leprosos clamam a Ele por misericórdia. Eles não se aproximaram porque não lhes era permitido. Jesus lhes diz para se mostrarem aos sacerdotes (os leprosos curados tinham que fazer isso para serem permitidos a voltar à sociedade normal). Todos creram Nele enquanto se viravam e corriam para os oficiais para receber a confirmação da cura. Apenas um (um samaritano) se voltou e veio a Jesus para dar graças e recebe uma bênção extra, e mais importante, o perdão dos seus pecados. Os outros 9 foram como aqueles que comeram o pão e o peixe feitos por um milagre. Seus corpos foram nutridos, mas suas almas permaneceram intocadas. O leproso que voltou para dar graças e prestar homenagem ao Senhor mostrou que a cura produziu fé Nele e que essa fé salvou sua alma.
108. Profecia concernente ao fim
Os fariseus acreditavam que a vinda do reino de Deus seria algo bom para eles. Eles pensavam que o reino inauguraria uma era dourada de supremacia judaica e que eles se beneficiariam grandemente como líderes religiosos.
Com isso em mente, eles lhe perguntam sobre a vinda do reino, e Jesus lhes responde usando uma linguagem difícil de discernir (apocalíptica) e uma mensagem para a qual não estavam preparados:
- O reino já estava entre eles e, por não o reconhecerem, sofreriam uma crise (julgamento do Filho do Homem).
- Essa crise viria sobre eles de repente e sem aviso.
- A crise traria devastação.
Claro, Ele está se referindo ao fato de que Ele está inaugurando o reino de Deus, Ele o encarna, mas eles se recusam a aceitá-Lo. O resultado da recusa deles em reconhecê-Lo é que serão julgados por isso quando Ele lhes trouxer juízo. Sua advertência é que serão destruídos de repente e apenas alguns escaparão. Esta profecia se cumpriu quando o exército romano veio e destruiu Jerusalém em 70 d.C. e apenas alguns (cristãos) conseguiram escapar da cidade.
109. Parábolas sobre perseverança e orgulho
Nesta última viagem ministerial, Jesus ensina em parábolas que tratam do relacionamento pessoal com Deus:
- A parábola da viúva que incomoda um oficial da cidade para que lhe faça justiça até que ele ceda mostra que a perseverança é uma força poderosa mesmo nas mãos dos fracos. Isso Ele ensinou para encorajar o povo a perseverar em oração ao Deus Todo-Poderoso, embora fossem fracos e pecadores. Suas orações perseverantes eram ferramentas poderosas para apelar a Deus que, ao contrário do oficial indiferente, estava verdadeiramente interessado nas preocupações de Seu povo.
- A parábola do Publicano e do Fariseu mostra dois homens orando. O Fariseu julgando a si mesmo em comparação com o Publicano pecador e se considerando justo em contraste. O Publicano julgando a si mesmo pela Lei de Deus e se achando culpado e indigno. Jesus mostra que a misericórdia de Deus está sobre aqueles que humildemente reconhecem seus pecados, e Seu juízo sobre aqueles que tentam justificar ou desculpar a si mesmos.
Estas parábolas eram repreensões veladas da classe dirigente oficial dos líderes religiosos que haviam falhado em exercer justiça e misericórdia para com os outros e que haviam sido orgulhosos demais para pedir misericórdia a Deus para si mesmos.
110. Perguntas dos fariseus sobre o divórcio
Mateus 19:1-15; Marcos 10:1-16
Jesus deixa a parte mais ao norte do país, ao redor da Galileia, e segue para o sul. Ele é confrontado na região da Pereia por fariseus que desejam armá-lo na questão do divórcio.
Naquela época, havia duas principais escolas de pensamento sobre o ensino da Lei concernente ao divórcio encontrado em Deuteronômio 24:1-4. O Rabino Shamai dizia que "indecência" era algum tipo de comportamento sexual vergonhoso. O Rabino Hilel dizia que "indecência" era qualquer comportamento que o marido não gostasse.
Os fariseus perguntaram a Jesus: "Pode o homem divorciar-se por qualquer motivo?", provocando-O a tomar partido por um ou outro (N.B. na época, somente os homens podiam iniciar o divórcio). Se Ele concordasse com Shamai, O acusariam de hipócrita porque Ele se associava com pecadores e perdoava a mulher apanhada em adultério. Se Ele concordasse com Hilel, O acusariam de ser brando com o divórcio, um liberal. Se rejeitasse ambos, O acusariam de violar a Lei, pois a Lei permitia o divórcio.
Jesus responde ensinando-lhes várias lições básicas sobre o casamento que eles haviam negligenciado ou entendido mal:
- O casamento é uma criação de Deus, não do homem. Foi instituído em Gênesis no princípio e as regras que o governam ainda são estas: um homem, uma mulher para a vida toda (Gênesis 2:18-25).
- As instruções na Lei que permitem o divórcio não mudaram o design original do casamento. Elas foram colocadas porque, com a chegada do pecado, precisava haver direção sobre o que fazer quando o pecado destruía um casamento (divórcio legal, não voltar com a esposa original, proteção dos filhos, etc.). Em sua dureza de coração, os homens estavam repudiando suas esposas sem qualquer fundamento legal para a mulher. Por causa disso, ela não podia se casar novamente, o que era sua única opção para se sustentar naquela cultura. Infelizmente, muitas mulheres recorreram à prostituição ou à coabitação sem casamento para sobreviver. Ambas as situações eram vergonhosas naquela sociedade. Ao exigir uma certidão de divórcio, a mulher ficava legalmente livre para se casar novamente e ter status adequado (Deuteronômio 24:1-2).
- O que quebra o vínculo do casamento é uma violação contra a própria coisa que sustenta esse vínculo – o sexo. Quando há fornicação (pecado sexual que inclui adultério, homossexualidade e outras formas de impureza sexual), o vínculo matrimonial é quebrado. O divórcio legal é permitido nesses casos sem trazer culpa ao cônjuge inocente. Jesus não disse que você não podia quebrar o vínculo do casamento, Ele disse que não deveria.
- Aqueles que se divorciaram de seus parceiros por razões que não fossem pecados sexuais eram culpados de vários pecados naqueles dias:
- Divorciaram-se ilegalmente (fizeram o que Deus disse para não fazer).
- Cometeram adultério ao quebrar seus votos matrimoniais. A palavra adultério não se refere apenas a um pecado sexual, também significa a quebra de um voto ou a prática da idolatria (Jeremias 3:9; Ezequiel 23:37; Mateus 19:9; Tiago 4:4). Note que Jesus não diz, "exceto por fornicação e casa com outra comete fornicação" (que se refere especificamente ao pecado sexual); Ele diz, "comete adultério."
- Causaram que seus parceiros inocentes fossem estigmatizados como adúlteros aos olhos da sociedade (porque todos presumiriam que essa era a verdadeira razão pela qual foram repudiados). Ou até os levaram ao pecado sexual (prostituição).
- Causaram que até os futuros cônjuges fossem estigmatizados como adúlteros pela sociedade pela mesma razão.
Os fariseus eram notórios por seus muitos divórcios e Jesus não lhes permite justificar-se alegando que tinham divórcios "legais". Ele lhes mostra que a Lei que governa o casamento está em Gênesis e demonstra a extensão do dano que causaram ao se divorciarem. Há ensinamentos adicionais sobre casamento e divórcio em 1 Coríntios que não abordaremos aqui.
É depois deste confronto que Jesus para para abençoar as crianças pequenas trazidas a Ele, e adverte os Apóstolos e a todos para não impedirem que as crianças venham a Ele para receber bênçãos.
Inocência e fé confiante eram importantes para ter sucesso no casamento, assim como para entrar no reino.
111. O jovem rico
Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30
O jovem rico representa o que havia de melhor na nação judaica. Ele era jovem, rico, conhecedor da Lei e piedoso, pois procurava obedecê-la cuidadosamente. O resultado disso, porém, foi apenas levá-lo ao ponto em que percebeu que algo estava faltando. Ele queria a vida eterna e confessou que, apesar de todo seu esforço, ainda não a havia alcançado. Jesus lhe diz que, para obter a vida "eterna", ele deve deixar sua vida "temporal" (dinheiro e posição) e segui-Lo. No encontro com o Senhor, o jovem descobriu que seu grande amor pelas riquezas estava impedindo sua vida eterna. Jesus aproveita a oportunidade aqui para advertir sobre o perigo das riquezas e como a busca por elas pode cegar e bloquear a capacidade da pessoa de ver ou entrar no reino espiritual.
Pedro neste momento reclama que os Apóstolos já renunciaram suas riquezas para seguir Jesus, e o Senhor assegura a Pedro que sua recompensa será muito maior do que aquilo que deixaram por Ele. No reino, os primeiros (ricos e poderosos) serão os últimos, e os últimos (humildes e fracos) serão os primeiros.
112. Parábola dos trabalhadores na vinha
Em conformidade com Sua advertência sobre riquezas e serviços, Jesus também ensina sobre a atitude ao contar a parábola dos trabalhadores contratados em diferentes horas do dia pelo mesmo pagamento.
Nesta parábola, Ele mostra que tudo o que recebemos do Senhor: é sempre justo, é sempre generoso e não se baseia em nosso trabalho merecedor, mas em Sua bondade.
Esta é uma das três ocasiões em que Jesus usa o ditado: Os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros. Outras passagens: resposta a Pedro e aos apóstolos sobre a recompensa por segui-Lo (Mateus 19:30), resposta a uma pergunta sobre quem será salvo (Lucas 13:30).
113. Jesus prevê Sua morte/ressurreição pela terceira vez
Mateus 20:17-19; Marcos 10:32-34; Lucas 18:31-34
Jesus mais uma vez prediz Sua morte e ressurreição, mas desta vez dá mais detalhes sobre a maneira de Seu sofrimento e morte, bem como uma indicação clara de Sua ressurreição três dias depois.
Lucas diz que mesmo nesta data tardia, os Apóstolos ainda não entendiam do que Ele estava falando.
114. O pedido de Tiago e João
Mateus 20:20-28; Marcos 10:35-45
Percebendo que o tempo de um evento importante está próximo (a vinda de um reino terreno com os Apóstolos à frente), Tiago e João fazem uma tentativa de obter posições de destaque na nova ordem. Seria sentar-se à direita e à esquerda do trono. Isso irrita os outros, que ressentem a sua busca por poder.
Jesus responde que eles não sofreram e não sofrerão de maneira a merecer isso (Ele sofrerá), que eles, porém, sofrerão por causa do reino e alcançarão seu pedido (sentar-se com a igreja à direita de Deus em Cristo), a posição elevada que buscam é obtida por meio do serviço e da humildade no reino e não por disputar poder.
115. Jesus cura dois cegos
Mateus 20:29-34; Marcos 10:46-52; Lucas 18:35-19:1
Na revisão dos três relatos, vemos que um dos dois cegos se chamava Bartimeu, e foi ele quem clamou a Jesus proclamando-O como Messias (Filho de Davi). Ambos foram desencorajados a incomodar Jesus, mas o Senhor respondeu ao seu chamado e curou a sua cegueira.
O nome de um dos cegos, Bartimeu, sugere que ele se tornou um membro bem conhecido da igreja de Jerusalém.
116. Jesus vai à casa de Zaqueu
O milagre da cura dos cegos aconteceu quando Jesus estava entrando em Jericó (nordeste de Jerusalém). Após esse milagre, as multidões O seguiram enquanto Ele passava pela cidade. Uma pessoa na multidão era o principal coletor de impostos daquele lugar. Seu nome era Zaqueu. Por ser baixo, ele subiu em uma árvore para vê-Lo passar. Jesus o avistou e disse que comeria com ele. Zaqueu provavelmente era o homem mais desprezado da cidade e o menos digno de receber Jesus, mas quando a oportunidade veio, ele alegremente recebeu Jesus em sua casa.
Enquanto comia, Zaqueu fica tão cheio de gratidão que se arrepende publicamente de seus pecados e se compromete a fazer o que é certo, e Jesus o perdoa e o abençoa ali mesmo.
117. A parábola das minas (libras)
Durante esse mesmo jantar, a questão de quando o reino chegaria surge novamente. Os judeus perguntavam continuamente essa questão porque estavam ansiosos pela chegada de sua versão do reino, pois se sentiam preparados para ele e acreditavam que lhes seria benéfico.
Jesus responde com a parábola das minas (uma medida de dinheiro, equivale a aproximadamente 25 dólares hoje). A parábola é semelhante àquela em Mateus sobre talentos, mas é uma parábola diferente contada a um público diferente.
Na história, os súditos rebeldes recusam-se a submeter-se a um nobre enquanto ele está ausente. Quando ele retorna, ele os pune. Enquanto está ausente, ele deixa seus 10 escravos com dinheiro para investir e, como na parábola dos talentos, aqueles que têm sucesso são recompensados e os que foram preguiçosos ou medrosos perdem o pouco que tinham para começar.
O ponto para os judeus era que eles tinham sido tanto rebeldes quanto infrutíferos e estavam prestes a ser punidos perdendo o que tinham.
118. Maria unge Jesus com perfume
Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9; João 11:55-12:11
Jesus sai de Jericó e se aproxima de Jerusalém indo para Betânia para um jantar em Sua honra na casa de Simão, o Leproso (provavelmente aquele que foi curado por Jesus). Simão estava de alguma forma ligado a Lázaro, Maria e Marta (talvez o pai), pois eles também estavam em sua casa e as mulheres estavam servindo comida. Havia multidões ao redor da casa querendo ver Lázaro, a quem Jesus havia ressuscitado dos mortos. Foi uma última refeição com amigos e apoiadores, e enquanto comiam, Maria usa um perfume caro para ungir a cabeça de Jesus como uma forma de honrá-Lo.
Quando os outros reclamam (Judas) sobre o custo e o desperdício, Jesus lhes diz que esta é uma preparação para Sua morte e que Maria sempre será lembrada por isso.
Enquanto isso, nuvens escuras se formavam ao redor do Senhor, pois os principais sacerdotes estavam conspirando para prendê-Lo e a Lázaro (segundo João 12:9-10) e matá-los, já que muitas pessoas estavam começando a seguir Jesus.
No próximo capítulo, começaremos a revisar os eventos ocorridos durante a última semana de Jesus antes de Sua morte.
Lições
1. Deus trata com o homem com base na necessidade, não no mérito
Note que os judeus eram continuamente repreendidos por Jesus porque vinham a Deus com sua cultura, conquistas, autojustiça. Contudo, os que foram recebidos e abençoados pelo Senhor foram aqueles que estavam conscientes de suas fraquezas e vinham a Deus com necessidade de justiça, perdão, misericórdia; e ficaram satisfeitos.
2. Não desperdice a oportunidade de estar com Jesus
Os cegos, Zaqueu, Simão, o Leproso – todos aproveitaram o tempo para estar com o Senhor, até mesmo as multidões. Devemos considerar um privilégio, não um problema, os momentos em que podemos estar com nosso Senhor no culto, no estudo da Bíblia, na oração, no serviço, etc. Não perca a oportunidade quando ela surgir. Aqueles que passam tempo com Ele agora estarão com Ele depois.
LEITURA DESIGNADA PARA O CAPÍTULO 11
- Mateus 21:1-11; 17; Marcos 11:1-11; Lucas 19:29-44; João 12:12-19
- Mateus 21:12-19; Marcos 11:12-19; Lucas 19:45-46
- Mateus 21:21-22; Marcos 11:20-26
- Mateus 21:23-22:14; Marcos 11:27-12:12
- Mateus 22:15-23:39; Marcos 12:13-40; Lucas 20:20-47
- Marcos 12:41-44; Lucas 21:1-4
- João 12:20-36
- Mateus 24:1-42; Marcos 13:1-37; Lucas 21:5-36
- Mateus 24:43-25:46
- Mateus 26:1-5, 14-16; Marcos 14:1-2; Marcos 14:10-11
- Lucas 22:1-6; João 12:36-50
Perguntas para Discussão
- Resuma as seguintes ações de Jesus:
- Jesus cura dez leprosos (Lucas 17:11-19)
- Profecia sobre o fim (Lucas 17:20-37)
- Parábolas sobre perseverança e orgulho (Lucas 18:1-14)
- Perguntas dos fariseus sobre o divórcio (Mateus 19:1-15; Marcos 10:1-16; Lucas 18:15-17)
- O jovem rico (Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30)
- Parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20:1-16)
- Jesus prediz Sua morte/ressurreição pela terceira vez (Mateus 20:17-19; Marcos 10:32-34; Lucas 18:31-34)
- Pedido de Tiago e João (Mateus 20:20-28; Marcos 10:35-45)
- Jesus cura dois cegos (Mateus 20:29-34; Marcos 10:46-52; Lucas 18:35-19:1)
- Jesus vai à casa de Zaqueu (Lucas 19:2-10)
- A parábola das minas (Lucas 19:11-28)
- Maria unge Jesus com perfume (Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9; João 11:55-12:11)
- Como você pode usar esta lição para crescer espiritualmente e ajudar outros a entrarem em um relacionamento com Jesus?


