Viver no Reino Não é a Nova Lei

É um erro comum, tanto historicamente quanto hoje, reduzir o Sermão do Monte (Mateus 5-7) a um novo conjunto de exigências legais – uma espécie de versão cristã da Lei de Moisés. Muitos crentes leem os ensinamentos de Jesus e concluem que Ele estava simplesmente substituindo regras antigas por outras mais novas e exigentes. Mas fazer isso é perder o sentido tanto da Lei quanto do evangelho – e cair na mesma armadilha em que os líderes religiosos da época de Jesus caíram: acreditar que a justiça vem pela obediência.
Os escribas e fariseus haviam transformado a Lei Mosaica em um código mensurável e gerenciável – comportamentos externos que podiam ser marcados para provar superioridade moral. Jesus confrontou essa distorção diretamente em Mateus 5 com Sua frase repetida, "Ouvistes que foi dito... mas eu vos digo." Ele não estava anulando a Lei (cf. Mateus 5:17); Ele estava restaurando seu verdadeiro propósito. A Lei de Deus sempre foi sobre o coração – amar a Deus e ao próximo (Deuteronômio 6:5; Levítico 19:18) – e não mera obediência externa. Jesus expôs como até mesmo a ira, a cobiça, a retaliação ou o amor insincero violavam o espírito do mandamento de Deus.
No entanto, muitos cristãos abordam o Sermão do Monte da mesma forma que os fariseus abordavam a Lei: elaborando uma lista de verificação. Eles medem a justiça pela frequência à igreja, modéstia externa, evitar pecados evidentes ou seguir certas regras. Mas essa "mentalidade de conformidade" não compreende a natureza da justiça do Reino. Jesus elevou o padrão não para que nos esforçássemos mais, mas para que percebêssemos que a verdadeira vida do Reino requer algo muito mais profundo do que a moralidade exterior – requer transformação.
Viver no Reino não é a Nova Lei. É o resultado de um novo coração. As Bem-aventuranças (Mateus 5:3-12) descrevem pessoas que são pobres de espírito, famintas por justiça, misericordiosas, puras de coração—pessoas cujas vidas foram transformadas de dentro para fora. A justiça que Jesus descreve é impossível sem a graça. Não se trata de trabalhar mais, mas de permanecer mais profundamente—nele.
Paulo ajuda a esclarecer isso em Romanos e Gálatas. A Lei, ele diz, foi um tutor para nos conduzir a Cristo (Gálatas 3:24). Ela revelou o pecado, mas não pôde vencê-lo. Somente pela fé em Jesus e pela habitação do Espírito podemos viver como Deus deseja (Romanos 8:3-4). Esta é a essência da vida no Reino: não lutar por conformidade, mas render-se à transformação.
Para nos libertarmos da armadilha do cristianismo legalista, devemos ver o Sermão do Monte não como um livro de regras, mas como um espelho. Ele nos mostra quem somos e quem somos chamados a ser – não pelo nosso esforço, mas pela graça de Deus operando em nós (Tito 2:11-14). A justiça do Reino não é conquistada – é recebida, capacitada pelo Espírito, e vivida em humilde dependência.
O Sermão não é a Nova Lei. É a nova vida – a vida de Deus em nós.
- Como você tem interpretado pessoalmente o Sermão do Monte – como lei ou como vida?
- De que maneiras o foco na conformidade pode impedir a transformação espiritual?
- Quais passos você pode tomar para viver pela graça em vez do desempenho?
- ChatGPT (OpenAI)
- Comentário de Gálatas – Jack Cottrell, College Press NIV Commentary
- O Sermão do Monte – D.A. Carson, The Expositor's Bible Commentary
- Romanos: O Evangelho de Deus – Leon Morris, Eerdmans Publishing

