8.

Jesus Indo Para Jerusalém

Parte 3

Nesta seção, Jesus transmite várias parábolas em resposta àqueles que questionaram Sua autoridade e missão, e como uma forma de ensinar Seus discípulos sobre a realidade invisível do Reino de Deus.
Aula por:
Série Lucas / Atos para iniciantes (8 de 26)

Estamos na terceira de quatro seções examinando os eventos que ocorrem enquanto Jesus está a caminho de Jerusalém. Seu ministério até este ponto tem sido principalmente na Galileia, perto de Sua casa em Cafarnaum; mas o tempo da rejeição final do Senhor e da crucificação está próximo, e assim Ele segue para Jerusalém para enfrentar a crescente hostilidade dos líderes religiosos ali localizados. Isso é visto em suas tentativas de denunciá-Lo por curar pessoas no sábado.

Nesta seção, Lucas registra uma série de episódios onde Jesus usa tanto parábolas quanto ensinamentos convencionais para instruir o povo sobre o reino e outros temas. Vários destes são encontrados somente em Lucas.

Parábolas Sobre Jantares e Convidados Para Jantar – Lucas 14:7-24

Como grande parte da socialização naquela época era feita em torno da comida, Jesus apresenta três parábolas: uma sobre os convidados, outra sobre o anfitrião e uma sobre o próprio jantar.

Parábola dos Convidados para o Jantar

Todas essas três parábolas são sobre vários aspectos do reino de Deus. Em outras parábolas (por exemplo, os talentos, Mateus 25:14-30) a mensagem principal era que o reino estava próximo ou que o retorno do rei do reino era desconhecido, então era necessário estar preparado (fiel, produtivo, puro, etc.). Nessas parábolas, Jesus foca na atitude do anfitrião e dos convidados.

7E disse aos convidados uma parábola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes: 8Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar, para que não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu, 9e, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar. 10Mas, quando fores convidado, vai e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, assenta-te mais para cima. Então, terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa. 11Porquanto, qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.

- Lucas 14:7-11

Esta parábola surge do que Jesus estava realmente testemunhando enquanto as pessoas disputavam posições de honra na festa que Ele estava participando. A história se explica por si mesma e sua mensagem é familiar: que no reino, os humildes são exaltados e os orgulhosos humilhados (ou seja, Mateus 23:12). Esta é também uma denúncia indireta dos líderes religiosos que, ao contrário do povo comum, eram demasiado orgulhosos para receber Jesus, mesmo com o testemunho de Seus milagres.

Esta é uma das parábolas únicas do evangelho de Lucas.

Parábola/Instrução ao Anfitrião (14:12-15)

Como um acompanhamento, Jesus dirige-se não apenas ao Seu anfitrião, mas a todos aqueles que praticam a hospitalidade.

12E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. 13Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos 14e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado serás na ressurreição dos justos.

- Lucas 14:12-14

A maneira como os convidados se empurravam para conseguir lugar sugere que não eram entre os pobres e desfavorecidos. A hospitalidade é uma marca de quem faz parte do reino, porém, a hospitalidade do tipo reino é diferente, pois visa servir aos outros, não a si mesmo. A diferença nas atitudes reflete os diferentes objetivos.

  1. Uma atitude egoísta usa a hospitalidade como meio de avançar sua posição social ou taticamente.
  2. Aqueles que servem aos outros por meio da hospitalidade o fazem para promover o crescimento do reino de Deus aqui na terra e recebem uma bênção por seus esforços.

E, ouvindo isso um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que comer pão no Reino de Deus!

- Lucas 14:15

Este comentário serve como uma declaração de "Amém" ao que Jesus acabou de dizer, e uma ponte para a terceira parábola sobre o reino usando a história de um jantar. Implicitamente, pergunta: "Quem será digno de participar do banquete do reino?"

Parábola do Jantar (14:16-24)

Esta parábola resume a situação que ocorre quando Jesus se aproxima de Jerusalém e o que o espera lá. Na parábola:

  • O anfitrião é Deus.
  • O jantar é a mensagem do evangelho conduzindo alguém ao reino.
  • O único servo enviado para convidar é Jesus.
  • Os convidados originais são os judeus, especialmente os líderes religiosos.
  • Os pobres, aleijados e cegos na cidade são os judeus comuns entre o povo.
  • Os que estão nas estradas (caminhos e cercas) são os gentios.

Nesta parábola, Jesus resume Seu ministério até o momento, a resposta inicial a ele e seu resultado final.

1. Ministério Até o Momento e Resposta

Jesus pregou e realizou milagres para provar que Ele era o Messias e que o reino de Deus havia chegado. Os líderes religiosos, que deveriam ter sido os primeiros a perceber e aceitar isso, não o fizeram. A resposta deles foi semelhante à dos convidados que encontraram todo tipo de desculpas para evitar o jantar. Da mesma forma, esses homens encontraram todas as maneiras de desacreditar, atacar e finalmente prender e executar Jesus.

2. Resultado

A maioria dos seguidores de Jesus eram pessoas comuns (então e agora) e, eventualmente, a refeição (mensagem) destinada primeiro aos judeus foi espalhada com sucesso entre os gentios.

Em Sua última advertência, Jesus alerta as pessoas que se recusam a crer (como aqueles que foram convidados primeiro) que não desfrutarão das recompensas do reino. A fé será sempre necessária para experimentar (provar) o reino de Deus.

Teste de Discipulado – Lucas 14:25-35

Estas parábolas levam a uma discussão sobre o discipulado e suas exigências (mencionadas tanto em Mateus quanto em Marcos). Jesus não deixa dúvida de que os discípulos devem renunciar a tudo o que possuem, não para praticar humildade ou ascetismo, mas para aprender a lição de confiar n'Ele. Em seu comentário, R.C.H. Lenski diz que o que Jesus exige é que Seus discípulos abandonem a confiança no que possuem para salvá-los ou para realizar a obra de Deus no estabelecimento do reino.

Esta passagem é frequentemente usada para fazer o ponto de que os futuros discípulos precisam "contar o custo" antes de decidir seguir Jesus. Esta é uma lição natural decorrente das palavras de Jesus aqui, no entanto, afirmar que devemos renunciar a tudo o que temos para ser verdadeiros discípulos não é o que Jesus está querendo dizer. O que devemos considerar antes de nos tornarmos discípulos é que, não importa o que possuímos, isso não é suficiente para pagar por nossos pecados; temos que depender completamente de Jesus para isso. Além disso, não podemos nos tornar discípulos fiéis e frutíferos baseados apenas no que possuímos (habilidade, experiência, etc.). Novamente, precisamos dos dons espirituais e da ajuda que somente Jesus pode fornecer para termos sucesso e sermos frutíferos no ministério.

Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

- Lucas 14:33

Você não precisa se tornar pobre para ser um discípulo, você precisa renunciar à autoconfiança para se tornar um discípulo.

34Bom é o sal, mas, se ele degenerar, com que se adubará? 35Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

- Lucas 14:34-35

Jesus conclui comparando os discípulos ao sal. Ele aponta que o sal é inútil se perder o seu sabor. Da mesma forma, os discípulos tornam-se inúteis se deixarem de agir como discípulos. O Senhor nos adverte a considerar primeiro o custo do discipulado (é necessário abandonar a autoconfiança) e então estabelece a duração do nosso serviço como discípulos (para a vida). O único propósito do sal é sua salinidade, e o único propósito dos discípulos é a fidelidade. Se o sal perde seu sabor, perde seu valor e, da mesma forma, um discípulo que se torna infiel perde seu valor essencial em Cristo.

Parábolas do Perdido e Achado – Lucas 15:1-32

A Ovelha Perdida, a Moeda Perdida (15:1-10)

1E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. 2E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.

3E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:

- Lucas 15:1-3

Lucas muda a cena neste ponto e prepara a ocasião para a apresentação de três parábolas sobre coisas perdidas e encontradas. Estas três são dadas como resposta à crítica que Ele recebia dos líderes religiosos porque Ele não apenas ministrava aos pecadores e publicanos (excluídos) com Seu ensino (que eles buscavam avidamente), mas também comia com eles, assim como fazia com os fariseus, de vez em quando. Os líderes religiosos consideravam essas pessoas uma causa perdida. Jesus, por outro lado, pregava o evangelho a esses excluídos e se misturava socialmente com eles.

As duas primeiras parábolas (a ovelha perdida e a moeda perdida) são exemplos do desejo natural do ser humano de buscar diligentemente algo precioso que foi perdido, e da alegria que se experimenta quando é encontrado. Cada parábola tem um final feliz, pois tanto a ovelha quanto a moeda são localizadas. Ambas as parábolas explicam por que Jesus se esforça para alcançar esses "excluídos" (que são descartados como não valendo o esforço pelos líderes religiosos). Aos olhos de Deus, os perdidos ainda são preciosos e o esforço feito para encontrá-los vale a pena.

Jesus fala como alguém que é testemunha do que acontece no céu (o que Ele diz aqui não é uma citação de um profeta do Antigo Testamento, é uma revelação de uma testemunha celestial).

Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

- Lucas 15:7; 10

Jesus está ensinando-lhes a razão pela qual Ele ministra a todos (incluindo os excluídos). Toda alma é preciosa para Deus e digna de ser buscada e salva! Os líderes religiosos atribuíam um valor diferente a cada pessoa com base em critérios terrenos como família, educação, posição, riqueza e cultura (ou seja, judeus = maiores / gentios = menores). A parábola de Jesus ensinava que cada alma tinha valor igual (porque cada alma foi criada à imagem de Deus, não do homem - Gênesis 1:26).

O Filho Pródigo (15:11-32)

Após duas parábolas sobre objetos perdidos, Jesus intensifica Sua imagem sobre perdido e achado e conta a história do filho pródigo. Nesta parábola, Ele incluirá personagens que representam cada pessoa presente na narração da história: Ele mesmo, os excluídos, os líderes religiosos e como cada um desempenha um papel no cenário perdido/achado.

11E disse: Um certo homem tinha dois filhos. 12E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. 13E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. 14E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. 15E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. 16E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. 17E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! 18Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. 19Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores. 20E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. 21E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho. 22Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, 23e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, 24porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.

- Lucas 15:11-24

A parábola do Filho Pródigo aparece somente no evangelho de Lucas e é provavelmente uma das mais conhecidas de todas as parábolas. Nesta história, o que está "perdido" é a alma deste jovem. Ele passa de aceitável e seguro na casa do pai a tornar-se um excluído por causa do seu próprio pecado e insensatez. Não há busca aqui porque, ao contrário dos objetos (ovelhas e moedas), ele tem livre arbítrio. Suas escolhas o levaram à perdição e suas próprias escolhas serão o que o trarão de volta.

O pai representa o Pai celestial que está presente na forma de Jesus. Assim como Jesus ministrou e se associou com os marginalizados, o pai espera por seu filho e o recebe de volta na família quando ele retorna. O que ele perdeu (seu filho mais novo) voltou para ele e ele se alegra.

25E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. 26E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. 27E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. 28Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele. 29Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. 30Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. 31E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas. 32Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.

- Lucas 15:25-32

O filho mais velho personifica os líderes judeus. Fieis à tradição, legalistas no cumprimento das regras, trabalhando por uma recompensa, mas sem fé interior e amor a Deus que produzissem uma atitude bondosa e misericordiosa para com os outros.

A parábola descreve com precisão os dois filhos (grupos) com os quais Jesus lidou: os excluídos que buscaram reconciliação e os líderes religiosos que se recusaram a ver sua necessidade. Ambos os filhos estavam "perdidos", mas por razões diferentes:

  • Um para dissipação e imoralidade.
  • Um para orgulho autojustificado.

A triste realidade era que apenas um dos filhos foi finalmente encontrado.

Parábola do Administrador Iníquo (16:1-18)

Embora as parábolas tenham personagens e enredos diferentes, todas têm um fio comum: uma condenação das atitudes e ações dos fariseus e de outros líderes religiosos judeus. A parábola do administrador injusto não é exceção a esse padrão. Ela descreve um administrador (gerente) que é auditado e está prestes a perder seu emprego por causa de desperdício e má administração. Antes de sair, ele reduz o valor devido pelos clientes de seu empregador para ganhar favor com eles depois de ser demitido. Jesus não aprova sua conduta, mas observa que as ações do administrador para salvar a própria pele foram astutas de uma maneira mundana. O Senhor fornece um paralelo para os discípulos.

E eu vos digo: granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

- Lucas 16:9

Da mesma forma, os discípulos devem usar as riquezas terrenas para fazer "amigos" ou convertidos entre os pobres e marginalizados. Isso é para que, quando as riquezas terrenas não forem mais úteis (na morte), eles sejam recebidos no céu por causa da maneira como usaram suas riquezas terrenas para ganhar almas. A ideia é que os convertidos feitos aqui na terra, por meio do uso sábio dos recursos físicos, estarão no céu para receber e agradecer aos discípulos fiéis que os conquistaram para Cristo.

Esta parábola naturalmente conduz a uma exortação sobre o uso real das riquezas mundanas. A parábola mostrou uma pessoa injusta usando as riquezas de maneira astuta e egoísta. Na exortação, Jesus instrui Seus discípulos sobre a atitude correta em relação às riquezas terrenas. Ele também acrescenta uma advertência sobre a impossibilidade de tentar perseguir tanto as riquezas quanto o discipulado como prioridades iguais, pois exigem coisas opostas.

Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro ou se há de chegar a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

- Lucas 16:13

Os fariseus, ouvindo este ensino, rejeitam Jesus e o que Ele disse a respeito das riquezas mundanas. Isso eles fazem porque o Senhor descreveu perfeitamente a sua própria atitude gananciosa em relação ao dinheiro. Em resposta ao seu escárnio, Jesus os repreende:

15E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração, porque o que entre os homens é elevado perante Deus é abominação.

16A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele. 17E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da Lei.

18Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.

- Lucas 16:15-18
  1. Ele os condena como hipócritas religiosos que escondem sua ganância por trás do manto da justiça própria religiosa.
  2. Ele lhes lembra que agora é o tempo da salvação e, embora eles não estejam entrando no reino, outros estão (os excluídos).
  3. Eles contornavam a Lei e diluíam muitas de suas disposições para reivindicar justiça pessoal baseada na obediência à Lei. Por exemplo, eles se divorciavam de suas esposas sem motivo adequado e alegavam que eram inocentes de qualquer erro porque cumpriram o requisito estabelecido por Moisés de entregar às suas esposas uma "carta de divórcio" legal. Em outras palavras, alegavam inocência porque haviam providenciado a documentação correta para o divórcio!

Jesus lhes lembra que eles não tinham poder ou autoridade para mudar ou enfraquecer a Lei porque a Lei, ao contrário do mundo material, nunca falha nem muda. Ele então aplica a Lei aos seus divórcios ilegítimos, condenando-os e demonstrando o poder da palavra de Deus. Nesta ocasião, Ele não está fornecendo um ensino aprofundado sobre casamento e divórcio (como faz em Mateus 5:31-32; 19:3-9; Marcos 10:1-12). Ele está, no entanto, fazendo uma repreensão simples e rápida a esses líderes religiosos por seu desrespeito à permanência do casamento (isto é, eles se divorciaram sem motivo, e às vezes se casaram com as esposas uns dos outros - Lenski, p. 843-845).

Parábola do Homem Rico e Lázaro (16:19-17:10)

Após uma pausa, durante a qual Jesus dirige-se diretamente aos fariseus (versículos 14-18), o Senhor narra uma segunda parábola que trata da riqueza e dos perigos a ela ligados. Desta vez não se trata do uso desonesto da riqueza para ganho pessoal (administrador injusto), mas do amor e da dependência da riqueza que levam à ganância e ao egoísmo.

Um homem rico ignora um homem pobre e doente que está deitado à sua porta. Ambos morrem e o homem pobre vai para o céu enquanto o rico vai para o inferno. Estes dois têm um diálogo onde o homem rico suplica por alívio para seu sofrimento e pede que uma mensagem seja enviada para avisar seus irmãos sobre o sofrimento que está experimentando. Estes são recusados. A parábola tem várias lições:

  • O homem rico não foi condenado por sua riqueza, mas por seu egoísmo e falta de fé.
  • Há tanto vida e alegria, quanto sofrimento após a morte. Alguns pensam que esta é uma lição sobre a vida após a morte, outros a veem apenas como uma parábola; de qualquer forma, ensina as mesmas lições.
  • A fé expressa em amor é o que nos salva. O homem rico queria que um anjo avisasse sua família e foi dito que, se eles não acreditassem em Moisés (a testemunha enviada por Deus para pregar, liderar e advertir os judeus), então não acreditariam em uma testemunha adicional, mesmo que Ele ressuscitasse dos mortos. Isso seria verdade para a maioria dos judeus quando os apóstolos começaram a pregar sobre Jesus e Sua ressurreição.

O Senhor conclui Seu ensino por meio de parábolas com uma advertência final e instrução a Seus discípulos.

1E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! 2Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.

- Lucas 17:1-2

O Aviso

A única coisa pior do que não ter fé você mesmo é impedir que outros venham a ter fé. Isso era algo de que os líderes religiosos estavam se tornando culpados.

As Instruções

Jesus encerra Seu ensino com advertências aos Seus seguidores sobre sua vida como discípulos e do que essa vida consistia:

  1. Amor: O amor deles seria provado na maneira como tratavam uns aos outros (com graça e misericórdia).
  2. Fé: Uma fé forte que acreditava e vivia com a compreensão de que com Deus todas as coisas são possíveis.
  3. Humildade: Um reconhecimento de que a verdadeira e mais abençoada posição na vida era como servo de Deus.

Essas atitudes estavam em forte contraste com o caráter e a prática dos líderes religiosos que zombaram e rejeitaram Jesus, e como resultado, mereceram Sua condenação.

Lição

Se há alguma lição que podemos tirar desta mistura variada de parábolas e ensinamentos, é esta: A chave para o significado do texto geralmente está contida no próprio texto. Nesta seção, há apenas quatro personagens principais: Jesus, marginalizados, discípulos e líderes religiosos. Todas as conclusões, lições objetivas e aplicações devem primeiro estar ligadas a um destes antes que qualquer outra lição possa ser tirada com precisão e contexto.

Nota: A transcrição desta lição foi feita eletronicamente e ainda não foi revisada.

Perguntas para Discussão

  1. Na sociedade atual, quem você acha que são os equivalentes dos seguintes personagens bíblicos? Por que você acredita que essas pessoas se encaixam na descrição?
    • Jesus
    • Líderes Religiosos
    • Marginalizados / Pecadores
    • Discípulos
  2. Na parábola do filho pródigo, você acredita que a ira do irmão mais velho foi justificada? Por quê? Por que não?
    • Se você fosse o pai, o que diria ao irmão mais velho para fazê-lo entrar na festa?
Série Lucas / Atos para iniciantes (8 de 26)