Introdução ao Evangelho de Mateus

O Autor
Desde os primeiros dias da igreja, este Evangelho tem sido atribuído a Mateus, um dos doze apóstolos de Jesus. Mateus também era chamado Levi, um coletor de impostos por profissão antes de ser chamado para seguir Cristo (Mateus 9:9). Esta não era uma ocupação popular na sociedade judaica, pois os coletores de impostos eram frequentemente vistos como traidores que trabalhavam para Roma. O fato de Mateus ter sido escolhido como discípulo nos mostra como Jesus alcançava pessoas que outros jamais considerariam. Isso também sugere que Mateus era um homem organizado e atento aos detalhes, habilidades que aparecem na forma como ele escreve seu Evangelho. Ele cuidadosamente organiza os ensinamentos de Jesus em seções, quase como um professor preparando lições para os alunos. Embora alguns estudiosos modernos questionem se Mateus escreveu pessoalmente o Evangelho, o testemunho dos primeiros pais da igreja apoia consistentemente sua autoria. Homens como Pápias, Irineu e Orígenes mencionam Mateus como o escritor. O tom judaico, o uso intenso de citações do Antigo Testamento e a preocupação com a profecia encaixam-se bem com o background e a personalidade de Mateus.
A Data da Escrita
Datando o Evangelho não é uma ciência exata, mas a maioria dos estudiosos conservadores o situa entre 60 e 70 d.C. Isso é cedo o suficiente para que testemunhas oculares do ministério de Jesus ainda estivessem vivas, mas tarde o suficiente para refletir a crescente separação da igreja do judaísmo. Alguns defendem uma data anterior, na década de 50, já que Mateus não faz menção à destruição de Jerusalém em 70 d.C., o que teria sido uma confirmação poderosa da profecia de Jesus em Mateus 24. Outros pensam que pode ter sido escrito logo após a destruição como uma forma de ajudar os cristãos a entender o que havia acontecido. Seja qual for o ano exato, o Evangelho de Mateus permanece como um dos relatos escritos mais antigos da vida de Jesus.
O Público
Mateus claramente tinha leitores judeus em mente. Ele frequentemente cita as Escrituras do Antigo Testamento – mais de sessenta vezes – mostrando como Jesus cumpre as promessas feitas a Israel. Ele usa expressões judaicas sem sempre parar para explicá-las, presumindo que seus leitores entenderiam. Por exemplo, ele frequentemente se refere ao "reino dos céus" em vez de "reino de Deus", uma frase mais confortável para os judeus que evitavam pronunciar diretamente o nome divino. Ao mesmo tempo, Mateus não exclui os gentios. Ele os inclui na genealogia de Jesus (mencionando Raabe e Rute), registra a visita dos magos (sábios não judeus) e termina o Evangelho com o mandamento de Jesus para "fazer discípulos de todas as nações" (Mateus 28:19). Seu público, então, parece ser cristãos judeus que estavam aprendendo a entender sua fé à luz de Jesus, ao mesmo tempo reconhecendo que o plano de Deus agora se estendia a todo o mundo.
O Propósito
O propósito de Mateus é simples, mas profundo: mostrar que Jesus de Nazaré é o Messias e Rei prometido. Desde a linha de abertura, "O registro da genealogia de Jesus, o Messias, filho de Davi, filho de Abraão" (Mateus 1:1), Mateus liga Jesus diretamente à história de Israel. Davi representa a linhagem real; Abraão representa as promessas da aliança. Jesus cumpre ambos. Mateus quer que seus leitores vejam que Jesus não é apenas mais um profeta ou mestre, mas o cumprimento de tudo o que Deus vinha fazendo por séculos. É por isso que ele constantemente introduz histórias com frases como, "Isso aconteceu para cumprir o que foi dito pelo profeta..." Seu Evangelho é uma ponte entre o Antigo e o Novo Testamentos, conectando as profecias de Israel à vida de Cristo. Outro propósito é prático: Mateus organiza os ensinamentos de Jesus em cinco grandes seções (às vezes chamadas de "discursos"), que muitos acreditam refletir os cinco livros de Moisés. Esses discursos abordam temas como discipulado, missão, o reino dos céus, a vida na igreja e a prontidão para o fim. Ao organizar o material dessa forma, Mateus facilita para os crentes lembrarem e aplicarem as palavras de Jesus na vida diária.
O Tema
O tema principal de Mateus é o Reino dos Céus. Mais de trinta vezes ele usa essa expressão, única em seu Evangelho. Ele quer mostrar que em Jesus, o reino de Deus chegou – não como uma força política, mas como o governo de Deus nos corações das pessoas. Os milagres de Jesus demonstram o poder desse reino. Suas parábolas descrevem sua natureza. Sua morte e ressurreição garantem sua vitória. Conectado a isso está o tema do discipulado. Mateus enfatiza o que significa seguir Jesus: deixar para trás vidas antigas, abraçar a humildade, perdoar e suportar a perseguição. O Sermão do Monte (capítulos 5-7) estabelece o tom para esse discipulado, descrevendo o caráter daqueles que pertencem ao reino.
Características Distintivas de Mateus
Várias características distinguem Mateus dos outros Evangelhos:
1. Orientação Judaica: Mateus cita o Antigo Testamento mais do que qualquer outro escritor do Evangelho, mostrando como Jesus cumpre a Lei e os Profetas.
2. Estrutura do Ensino: Mateus organiza os ensinamentos de Jesus em cinco grandes discursos, cada um terminando com a frase, "Quando Jesus terminou estas palavras..." Isso dá ao Evangelho uma estrutura de ensino sólida.
3. Foco no Reino dos Céus: Enquanto Marcos e Lucas usam "reino de Deus," Mateus prefere "reino dos céus," refletindo sensibilidades judaicas sobre o nome de Deus.
4. Genealogia e Narrativa do Nascimento: Mateus começa com uma genealogia que traça Jesus até Abraão e Davi, destacando Suas credenciais judaicas e reais. Sua história de nascimento enfatiza o cumprimento da profecia (nascimento virginal, Belém, fuga para o Egito).
5. O Papel de Pedro: Mateus destaca Pedro mais do que os outros Evangelhos sinópticos, registrando eventos como Pedro andando sobre as águas (Mateus 14:28-31) e a promessa das chaves do reino (Mateus 16:18-19).
6. Forte Ênfase no Cumprimento: Repetidamente, Mateus destaca que as ações de Jesus cumprem as Escrituras do Antigo Testamento, sublinhando seu propósito principal.
7. Grande Comissão: Mateus termina com a missão mundial da igreja, lembrando-nos que o Messias judeu é também o Salvador das nações.
Por que Mateus é Importante Hoje
O Evangelho de Mateus permanece vital para os crentes porque mostra como Jesus completa a história da Bíblia. Ele nos lembra que o cristianismo não é uma religião isolada, mas o cumprimento das antigas promessas de Deus. Ensina-nos como viver como cidadãos do reino aqui e agora, aguardando sua consumação final quando Cristo voltar. E nos dá confiança de que nossa fé está enraizada não em ideias engenhosas, mas no plano de Deus se desenrolando ao longo da história.
O Evangelho de Mateus nos convida a ver Jesus como Rei—não apenas Rei de Israel, mas Rei de nossas vidas. Ler Mateus é entrar na grande história do reino de Deus, aprender os valores desse reino e ser chamado a vivê-los em um mundo que ainda resiste ao Seu governo.
- ChatGPT (OpenAI)
- D.A. Carson & Douglas J. Moo, Uma Introdução ao Novo Testamento (Zondervan, 2005)
- Craig Blomberg, Mateus (The New American Commentary, B&H, 1992)
- R.T. France, O Evangelho de Mateus (NICNT, Eerdmans, 2007)

