Jesus: Senhor de Todos
Em nosso estudo do evangelho de Marcos, vimos que Jesus começou a demonstrar Suas habilidades e natureza divinas por meio de Seus ensinamentos e milagres. A reação a Ele por parte das pessoas comuns e da liderança judaica é forte, mas mista, com alguns crendo, outros céticos e muitos entre os líderes tornando-se confrontadores. Marcos descreve sete ocasiões em que esses escribas e fariseus acusam Jesus de vários pecados, incluindo possessão demoníaca. Após esses confrontos, Jesus continua a ensinar Seus discípulos, mas em forma de parábola, a fim de criar menos tumulto entre as multidões.
Nos sete encontros anteriores que Marcos descreveu, houve ceticismo e incredulidade, até acusações. Nesta próxima seção, Jesus interagirá com grupos de pessoas que testemunham Seu poder e respondem com fé. Para essas pessoas, Jesus não é apenas um grande mestre e realizador de milagres, Ele se torna o Senhor das situações desesperadoras.
Senhor da Natureza
35E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra margem. 36E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. 37E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia de água. 38E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada; e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. 40E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? 41E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?
- Marcos 4:35-41
Após uma série de ensinamentos e curas milagrosas, Jesus parte pelo Lago da Galileia em um barco com Seus Apóstolos. Cansado do Seu trabalho, Ele adormece sobre uma almofada. Surge uma tempestade ameaçando afundar a embarcação. Deve ter sido uma tempestade forte porque todos eles são pescadores experientes, acostumados ao tempo difícil neste lago. Eles não O acordam para pedir Sua ajuda (afinal, o que um carpinteiro ou rabino saberia sobre navegar um barco em uma tempestade?), eles O acordam porque Ele está dormindo e eles acreditam que estão prestes a morrer.
Ao despertar, Ele acalma o mar com apenas uma palavra e os repreende por terem medo e pouca fé. Este milagre os deixa maravilhados. Eles não tinham poder sobre a tempestade e estavam à sua mercê. Contudo, ao realizar este milagre, Jesus demonstrou que tinha autoridade sobre os elementos naturais. A conclusão não dita deles era que somente Deus poderia controlar a natureza à vontade, e eles acabaram de testemunhar Jesus realizar este feito.
Senhor do Mundo Espiritual
1E chegaram à outra margem do mar, à província dos gadarenos. 2E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, 3o qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender. 4Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões, em migalhas, e ninguém o podia amansar. 5E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes e pelos sepulcros e ferindo-se com pedras. 6E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. 7E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes. 8(Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.) 9E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província. 11E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. 12E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. 13E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil) e afogou-se no mar. 14E os que apascentavam os porcos fugiram e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido.
15E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram. 16E os que aquilo tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. 17E começaram a rogar-lhe que saísse do seu território. 18E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez e como teve misericórdia de ti. 20E ele foi e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilhavam.
- Marcos 5:1-20
Imediatamente depois que chegam ao outro lado do lago, são confrontados por um homem possuído por um espírito imundo. Jesus já havia expulsado espíritos malignos no passado, mas alguns não ficaram impressionados porque os sacerdotes e fariseus também lidavam com esses tipos de casos. Desta vez, porém, Marcos descreve um homem possuído por muitos demônios (uma legião) que não podia ser curado nem contido por ninguém. Novamente, Jesus o cura com apenas uma palavra e os demônios são expulsos.
Esta cura em particular tem algumas características interessantes:
- Jesus tem um diálogo com os demônios. Isso provavelmente foi feito para demonstrar ao homem e aos seus próprios discípulos que Ele conhecia o problema e estava sem medo.
- Jesus envia os demônios para um rebanho próximo de porcos, talvez para assegurar ao homem que os demônios estavam realmente fora dele e fisicamente em outro lugar.
- A destruição dos porcos às vezes é questionada como desperdício, mas a vida de um homem vale mais do que um rebanho de porcos.
O povo da cidade está zangado e assustado. Eles não exigem compensação pelos porcos, simplesmente querem que Jesus vá embora. É triste notar que eles não conseguem ver além da destruição dos animais para entender o que realmente aconteceu.
O homem está completamente são, vestido e em paz após anos de insanidade e tormento. Jesus está prestes a partir e o homem quer ir com Ele, mas o Senhor lhe diz para ir à Decápolis (a região das dez cidades) e proclamar a notícia de sua cura. Mais tarde, Jesus retornará a esta área e será recebido por grandes multidões, em grande parte devido ao fato de que este homem foi para casa para contar sobre sua cura.
Jesus, depois de demonstrar que tinha poder sobre o mundo natural, mostra aos seus discípulos que também tem poder sobre o mundo espiritual. Ele vence a natureza no mundo exterior, Ele vence os demônios no mundo interior. O leitor fica com a conclusão de que, se somente Deus tem poder sobre a natureza e os demônios, Jesus, portanto, deve ser divino.
Senhor da Doença
21E, passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidão; e ele estava junto do mar. 22E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés 23e rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare e viva. 24E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.
25E certa mulher, que havia doze anos tinha um fluxo de sangue, 26e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior, 27ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua vestimenta. 28Porque dizia: Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei. 29E logo se lhe secou a fonte do seu sangue, e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. 30E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão e disse: Quem tocou nas minhas vestes? 31E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? 32E ele olhava em redor, para ver a que isso fizera. 33Então, a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. 34E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal.
- Marcos 5:21-34
Marcos combina duas histórias aqui, cada uma mostrando a preocupação e o poder de Jesus. A princípio, Jesus é confrontado por um oficial da sinagoga (Ministro nos termos atuais) cuja filha está doente a ponto de morrer. Ele suplica a Jesus que venha e a cure. Jesus concorda, mas a caminho é interrompido por uma mulher que secretamente toca a sua capa na esperança de ser curada de sua própria doença.
Esta mulher sofria de hemorragia uterina contínua. Sua condição a havia levado à falência financeira e, segundo a lei cerimonial judaica, não lhe permitia participar do culto no templo porque era considerada cerimonialmente "imunda". A mulher é imediatamente curada, mas Jesus a obriga a reconhecer sua doença, o que ela havia feito e os resultados. A razão para isso foi declarar publicamente o milagre e verificar que ela estava curada e agora podia retornar ao culto no templo.
Esta era uma doença que havia sido tratada sem sucesso por anos; que não era de natureza mental ou espiritual (isto é, possessão demoníaca); que era exclusivamente feminina em sua natureza; e Jesus a cura sem dizer uma palavra. Nisso vemos que Sua Senhoridade foi expressa pela Sua mera presença.
Senhor Sobre a Morte
35Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre? 36E Jesus, tendo ouvido essas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente. 37E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, e Tiago, e João, irmão de Tiago. 38E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço e os que choravam muito e pranteavam. 39E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme. 40E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina e os que com ele estavam e entrou onde a menina estava deitada. 41E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talitá cumi, que, traduzido, é: Menina, a ti te digo: levanta-te. 42E logo a menina se levantou e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto. 43E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.
- Marcos 5:35-43
Marcos continua a narrativa com a história da filha do líder da sinagoga. Chega a notícia de que ela morreu e o pai perde a esperança e está pronto para aceitar esse fato. Jesus lhe oferece uma esperança renovada, dizendo para crer e não temer. Quando Ele chega à casa, os profissionais do luto estão lá, junto com uma multidão de pessoas que riem enquanto Ele anuncia que a criança não está morta, mas apenas dormindo. Jesus leva consigo apenas aqueles que creem (os apóstolos e os pais) para testemunhar esse tremendo milagre. Novamente, Marcos demonstra a senhoridade de Jesus sobre outro inimigo poderoso do homem: a própria morte.
Estes quatro episódios estabelecem Jesus como aquele que possui poder divino para vencer aquelas coisas sobre as quais o homem tradicionalmente teve pouco ou nenhum controle: a natureza, o mundo espiritual, a doença e a morte. A conclusão que nos resta é que somente Deus pode ter e demonstrar esse tipo de poder, portanto Jesus deve ser divino!
Expansão do Ministério de Jesus — 6:1-56
Até este ponto em seu relato do evangelho, Marcos está descrevendo incidentes isolados da pregação e dos milagres de Jesus, e as várias reações a estes. Com o tempo, porém, Seu ministério começou a se expandir e Marcos descreverá esse desenvolvimento, bem como a reação do povo à fama crescente de Jesus.
A Cidade Natal de Jesus
1E, partindo dali, chegou à sua terra, e os seus discípulos o seguiram. 2E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm essas coisas? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? 3Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele. 4E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa. 5E não podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6E estava admirado da incredulidade deles. E percorreu as aldeias vizinhas, ensinando.
- Marcos 6:1-6
A notícia de Seu ensino e milagres chega à Sua cidade natal antes de Jesus. As pessoas respondem com ceticismo (como alguém daqui pode estar fazendo essas grandes coisas?). Elas até mencionam Jesus como o filho do carpinteiro local e um dos muitos filhos de uma família local. Desta vez, é Jesus quem se surpreende com a incredulidade deles e, consequentemente, faz muito pouco ministério (milagres) ali, mas continua a ensinar em suas sinagogas. Ele foi enviado para pregar as boas novas e faz isso sem milagres acompanhantes.
Envio dos Doze
7Chamou a si os doze, e começou a enviá-los de dois a dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, 8e ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto; 9mas que calçassem sandálias e que não vestissem duas túnicas. 10E dizia-lhes: Na casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali. 11E, quando alguns vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerância no Dia do Juízo para Sodoma e Gomorra do que para os daquela cidade. 12E, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse. 13E expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.
- Marcos 6:7-13
Há muito a fazer e Ele só pode estar em um lugar de cada vez, então Jesus envia Seus Apóstolos para replicar Seu ministério:
- Ele lhes dá a capacidade de fazer milagres.
- Ele lhes dá a missão de pregar.
- Ele lhes dá instruções sobre sua conduta e ministério.
- Ele proverá para eles, para que não tragam suprimentos extras.
- Devem viver no lugar que os receber. Não devem mendigar de porta em porta.
- Se forem rejeitados, devem partir.
Esta é uma fase importante de treinamento para o seu ministério futuro como Apóstolos.
Jesus e Herodes
14E ouviu isso o rei Herodes (porque o nome de Jesus se tornara notório) e disse: João, o que batizava, ressuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam nele. 15Outros diziam: É Elias. E diziam outros: É um profeta ou como um dos profetas. 16Herodes, porém, ouvindo isso, disse: Este é João, que mandei degolar; ressuscitou dos mortos. 17Porquanto o mesmo Herodes mandara prender a João e encerrá-lo manietado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, porquanto tinha casado com ela. 18Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão. 19E Herodias o espiava e queria matá-lo, mas não podia; 20porque Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo; e guardava-o com segurança e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa vontade o ouvia. 21E, chegando uma ocasião favorável em que Herodes, no dia do seu aniversário, dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e príncipes da Galileia, 22entrou a filha da mesma Herodias, e dançou, e agradou a Herodes e aos que estavam com ele à mesa. Disse, então, o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino. 24E, saindo ela, perguntou à sua mãe: Que pedirei? E ela disse: A cabeça de João Batista. 25E, entrando apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que, imediatamente, me dês num prato a cabeça de João Batista. 26E o rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar. 27E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça de João. E ele foi e degolou-o na prisão. 28E trouxe a cabeça num prato e deu-a à jovem, e esta a deu à sua mãe. 29E os seus discípulos, tendo ouvido isso, foram, tomaram o seu corpo e o puseram num sepulcro.
- Marcos 6:14-29
Nesse ponto, a fama de Jesus chega ao governante principal da região, e Marcos dá aos seus leitores algumas informações de fundo sobre Herodes (uma das poucas vezes que ele faz isso em seu evangelho). Herodes e seus filhos haviam conquistado poder na região por meio de conluio político com Roma. O Herodes atual (Herodes Antipas) era filho do rei que mandou matar as crianças em Belém e arredores na tentativa de eliminar Jesus quando Ele era bebê (Mateus 2:16).
Herodes Antipas havia abandonado sua esposa e fugido com Herodias (que já era casada na época com seu irmão, Filipe) enquanto visitava Roma. João Batista denunciou essa união e, ao fazê-lo, ameaçou a posição de Herodias como rainha. Herodes prendeu João, mas continuou a ouvir sua pregação, pois estava familiarizado com a lei e o costume judaicos, e entendia o que João ensinava.
Durante um banquete oferecido em honra aos seus nobres, Herodes foi enganado a prometer um favor especial à filha de Herodias. Ela, manipulada por sua mãe, exigiu a execução de João, e para evitar constrangimento, Herodes mandou decapitar João. Quando Jesus aparece e desenvolve um seguimento ainda maior do que o de João, Herodes imagina que Ele é a encarnação de João que agora veio assombrá-lo.
Marcos usa este recurso de flashback para apresentar um personagem importante daquela época e também para descrever as circunstâncias que levaram ao fim do ministério de João Batista, uma pessoa que ele apresentou anteriormente em seu livro. Esta é também uma forma de explicar o crescimento do ministério de Jesus.
Jesus e Seus Discípulos — 6:30-56
Os evangelhos de Mateus e João registram longas passagens onde Jesus está realmente ensinando Seus Apóstolos. Eles incluem muito diálogo contendo perguntas e respostas entre eles. A abordagem de Marcos é mostrar Jesus ensinando Seus Apóstolos escolhidos por meio da ação, dando exemplos, enviando-os para ministrar e depois recebendo suas respostas. Temos exemplos disso nos versículos 30-56.
A Retirada
30E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado. 31E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam, e vinham, e não tinham tempo para comer. 32E foram sós num barco para um lugar deserto.
- Marcos 6:30-32
Ao retornarem de sua primeira jornada de ministério, o Senhor tenta levar os Apóstolos para um descanso e renovação. Marcos nos diz que eles estavam ansiosos para relatar tudo o que fizeram.
A Reunião
33E a multidão viu-os partir, e muitos os conheceram, e correram para lá, a pé, de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles, e aproximavam-se deles. 34E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas. 35E, como o dia fosse já muito adiantado, os seus discípulos se aproximaram dele e lhe disseram: O lugar é deserto, e o dia está já muito adiantado; 36despede-os, para que vão aos campos e aldeias circunvizinhas e comprem pão para si, porque não têm o que comer. 37Ele, porém, respondendo, lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram-lhe: Iremos nós e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer? 38E ele disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide ver. E, sabendo-o eles, disseram: Cinco pães e dois peixes. 39E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em grupos, sobre a erva verde. 40E assentaram-se repartidos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta. 41E, tomando ele os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, e abençoou, e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles. E repartiu os dois peixes por todos. 42E todos comeram e ficaram fartos, 43e levantaram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44E os que comeram os pães eram quase cinco mil homens.
- Marcos 6:33-44
O que começa como um retiro acaba se tornando um ajuntamento enquanto milhares se reúnem para ouvir Jesus. Os milagres e ensinamentos de Jesus, além da recente viagem de pregação dos Apóstolos, agitaram a população que agora vem ouvir Jesus por si mesmos. Ele está confinado a lugares afastados, pois não pode ir até o povo nas cidades lotadas porque Herodes agora o persegue, então as multidões começam a vir até Ele.
Nesta cena, vemos Jesus alimentar o povo de duas maneiras diferentes:
- Ele os alimenta com alimento espiritual de maneira natural, pregando.
- Ele os alimenta com alimento físico de maneira sobrenatural, multiplicando os peixes e os pães.
Jesus está ensinando a Seus Apóstolos duas lições importantes aqui:
- Os humanos têm necessidades tanto físicas quanto espirituais que os Apóstolos devem satisfazer como ministros.
- Jesus pode suprir ambas as necessidades porque com Ele há sempre mais do que suficiente.
Sem Ele, havia apenas cinco pães e dois peixes, mas com Ele, havia mais do que suficiente. Os Apóstolos ministraram e fizeram milagres em sua primeira viagem de pregação, mas Jesus lhes lembra que Ele é a fonte dessas coisas, não eles mesmos.
O Andar Sobre as Águas
45E logo obrigou os seus discípulos a subir para o barco, e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46E, tendo-os despedido, foi ao monte para orar. 47E, sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra. 48E, vendo que se fatigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite, aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar adiante deles, 49mas, quando eles o viram andar sobre o mar, pensaram que era um fantasma e deram grandes gritos. 50Porque todos o viram e perturbaram-se; mas logo falou com eles e disse-lhes: Tende bom ânimo, sou eu; não temais. 51E subiu para o barco para estar com eles, e o vento se aquietou; e, entre si, ficaram muito assombrados e maravilhados, 52pois não tinham compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido.
- Marcos 6:45-52
Apesar dos milagres que viram e realizaram por si mesmos, nesta cena os Apóstolos demonstram que eram aprendizes lentos. Depois que as multidões se foram, Jesus os enviou sozinhos para o outro lado do lago. Eles estavam tendo problemas com outra tempestade, mas ainda não haviam clamado a Ele. Quando o viram andando sobre as águas, ficaram com medo. Esses homens o tinham visto exercer poder sobre todo elemento natural e espiritual e ouviram seu ensino, mas ainda assim não compreendiam a conclusão a que todas essas coisas apontavam. Não que Ele fosse um homem que fazia milagres, mas que Ele era o divino Filho de Deus, e cada um desses sinais os estava lentamente aproximando dessa realização.
Mais Milagres
53E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré e ali atracaram. 54E, saindo eles do barco, logo o reconheceram; 55e, percorrendo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, onde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos. 56E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou em aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste, e todos os que lhe tocavam saravam.
- Marcos 6:53-56
Quando chegaram ao outro lado do lago, Marcos descreve, quase de maneira casual, os muitos outros milagres que Jesus continuou a fazer, mesmo sem falar. Sua presença sozinha agora estava produzindo grandes curas. Os apóstolos, novamente testemunhando essa grande demonstração de poder, estavam começando a compreender quem Jesus realmente era.
Resumo
Após este ponto no evangelho de Marcos, Jesus realizará menos milagres. Os próximos dois capítulos descreverão mais dos confrontos que Ele tem com Seus inimigos e os milagres finais e principais que Ele realizará, mas a maior parte do ensino agora se concentrará em preparar Seus discípulos para entender e aceitar duas grandes verdades:
- Sua verdadeira identidade: Filho de Deus e Messias.
- Sua verdadeira missão: a cruz.


