Sem Condenação?

A história da mulher apanhada em adultério nos apresenta uma das demonstrações mais marcantes tanto da justiça quanto da misericórdia no ministério de Jesus. Por um lado, a evidência era inegável – ela fora apanhada no ato de adultério, um pecado claramente condenado pela Lei de Moisés (Levítico 20:10; Deuteronômio 22:22). Por outro lado, depois de dispersar seus acusadores, Jesus lhe diz: "Nem eu te condeno. Vai-te, e não peques mais" (João 8:11).
À primeira vista, esta resposta parece incompleta. Por que não declarar abertamente sua culpa enquanto concede misericórdia? Por que Ele para antes de nomear seu crime? A resposta está no significado da palavra "condenar". Jesus não nega o pecado dela, mas recusa-se a pronunciar a sentença de morte que seus acusadores exigiam. Nesta cena, "condenar" carrega o sentido legal de proferir um julgamento que leva à punição.
Há várias razões pelas quais Jesus poderia agir dessa maneira:
- A Lei exigia duas ou três testemunhas para estabelecer a culpa, e todos os seus acusadores haviam partido (Deuteronômio 19:15).
- Sua missão naquele momento não era condenar, mas salvar (João 3:17; João 12:47).
- Pelo Seu sacrifício iminente na cruz, Ele suportaria, em última análise, a penalidade do pecado dela, e a nossa.
A culpa dela é silenciosamente assumida no mandamento de Jesus: "Vai, e não peques mais." Ninguém recebe tal instrução a menos que seja culpado de pecado. O que é notável é que Ele lhe concede uma segunda chance sem a confissão formal ou súplica que poderíamos esperar. Sua submissão silenciosa ao Seu veredicto foi suficiente para que Ele estendesse misericórdia.
Este episódio prenuncia o ensino posterior de Paulo em Romanos 8:1: "Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." Aqueles que creem Nele permanecem sem condenação – não porque sejam inocentes, mas porque Cristo escolheu não impor a sentença que seus pecados merecem.
A parte sóbria é esta: um dia todas as pessoas serão "apanhadas" diante de Deus, seus pecados inegáveis. Ao contrário desta mulher, não haverá dispersão dos acusadores, nem evasão do juízo. Para aqueles que rejeitaram Cristo, a condenação será certa e justa. Mas para aqueles que pertencem a Cristo, Suas palavras ecoarão na eternidade: "Eu não te condeno."
- Como a recusa de Jesus em condenar a mulher equilibra tanto a misericórdia quanto a justiça?
- De que maneiras esta história ilustra o princípio de Romanos 8:1?
- Como os cristãos devem aplicar o exemplo da misericórdia de Jesus ao lidar com aqueles que pecaram contra nós?
- Discussão ChatGPT, "João 8: Mulher Adúltera" (BibleTalk.tv, 2025)
- Leon Morris, O Evangelho Segundo João (Eerdmans, 1995)
- D.A. Carson, O Evangelho Segundo João (PNTC, 1991)
- Merrill Tenney, João: O Evangelho da Fé (Eerdmans, 1976)

