Messias ou Profeta?

Quando Jesus alimentou a multidão com pão e peixe, a multidão respondeu:
Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo.
- João 6:14
Esta reação fornece uma visão sobre as expectativas judaicas da época em relação ao Messias.
Expectativa Messiânica no Primeiro Século
A referência a "o Profeta" remete diretamente a Deuteronômio 18:15-18, onde Moisés falou de um profeta futuro semelhante a ele que falaria as palavras de Deus com autoridade divina. O pensamento judaico no primeiro século incluía um espectro de interpretações a respeito dessa figura:
1. Um Profeta Escatológico Distinto
Algumas tradições esperavam um líder profético separado do Messias—aquele que prepararia o caminho para a redenção final de Israel.
2. Uma Identidade Combinada
Outras visões fundiram "o Profeta" com o próprio Messias, sugerindo um único indivíduo que cumpriria tanto os papéis reais quanto proféticos.
3. Conotações Políticas
Muitos antecipavam que esta figura libertaria Israel da dominação estrangeira, restauraria o reino e repetiria as grandes obras de Moisés (por exemplo, fornecer pão como maná no deserto).
João 6 ilustra essa expectativa complexa. O povo viu Jesus realizar um sinal semelhante à provisão de maná por Moisés. Sua conclusão – "Este é o Profeta" – mostra que reconheceram um cumprimento direto da promessa de Deuteronômio. Contudo, em João 6:15, tentam fazê-lo rei à força, revelando sua convicção de que "o Profeta" era também o libertador messiânico.
Aplicação Didática
A cena destaca a diversidade e complexidade da expectativa Messiânica na época de Jesus. Reconhecer isso ajuda os leitores modernos a entender por que Jesus frequentemente corrigia ou redirecionava a compreensão das pessoas sobre Sua missão. Ele cumpriu o papel de Profeta, Messias e Rei, mas não no sentido político antecipado por muitos.
Para os estudantes do Novo Testamento, João 6:14 demonstra que a linha entre "o Profeta" e "o Messias" não era rígida no pensamento judaico. Para a multidão, Jesus era a figura tão esperada prevista por Moisés; contudo, a expectativa deles moldava o tipo de Messias que pensavam que Ele deveria ser. Isso explica tanto o entusiasmo deles quanto a decepção posterior quando Ele não correspondeu às suas esperanças políticas.
- O que o povo quis dizer ao chamar Jesus de 'o Profeta' em João 6:14?
- Como as expectativas judaicas do primeiro século influenciaram a compreensão deles sobre o Messias?
- Por que é importante para os leitores modernos reconhecer a distinção entre expectativa e cumprimento no Evangelho de João?
- Discussão ChatGPT, 'O Profeta que Haveria de Vir,' setembro de 2025
- D.A. Carson, O Evangelho Segundo João, Eerdmans, 1991
- Leon Morris, O Evangelho de João, NICNT, Eerdmans, 1971
- Craig S. Keener, O Evangelho de João: Um Comentário, Hendrickson, 2003

