O Irmão Não Escolhido

Em Atos 1, os apóstolos buscaram substituir Judas Iscariotes, que havia traído o Senhor e tirado a própria vida. Dois homens fiéis foram apresentados: José chamado Barsabás (também conhecido como Justo) e Matias. Após oração, os apóstolos lançaram sortes, e Matias foi escolhido para tomar o lugar de Judas entre os Doze (Atos 1:23-26). E quanto a José? Ele não foi escolhido. Após esse momento, ele desaparece silenciosamente do registro bíblico. Nenhum sermão, nenhuma viagem, nenhum milagre está ligado ao seu nome. Poderíamos ser tentados a pensar nele como esquecido, ou pior, como um fracasso. Mas as Escrituras o registram como um homem considerado fiel o suficiente para estar entre os dois últimos candidatos ao apostolado – um testemunho de seu caráter e devoção.
A história de José não é diferente da de André. André foi o primeiro a seguir Jesus e trouxe seu irmão Pedro ao Senhor (João 1:40-42). Contudo, enquanto Pedro se tornou o líder proeminente dos apóstolos, André trabalhou principalmente nos bastidores. Vemos ele ocasionalmente – trazendo outros a Jesus, apontando recursos, fazendo conexões – mas ele nunca esteve no centro dos acontecimentos como Pedro. Tanto José quanto André nos lembram que, no reino de Deus, ser ignorado pelos homens não significa ser ignorado por Deus. Seu valor não dependia de ocupar um cargo ou ser o "homem da frente". Em vez disso, sua fidelidade, mesmo em papéis de apoio, era preciosa aos olhos de Deus.
Muitos na igreja hoje se sentem como José ou André. Eles não são presbíteros, ministros ou líderes públicos. Talvez nunca preguem para milhares ou liderem um ministério importante. No entanto, são essenciais para a vida e missão da igreja. Paulo nos lembra que o corpo tem muitos membros, e as partes menos visíveis são frequentemente as mais necessárias (1 Coríntios 12:22-25). Sem José, não teria havido Matias para compará-lo. Sem André, não teria havido Pedro trazido a Cristo. Sem os muitos servos fiéis, porém não reconhecidos, na igreja hoje, não haveria plataforma para o evangelho se espalhar, nem estabilidade para o trabalho dos líderes, nem testemunho de vidas comuns transformadas pela graça.
Se você se sente como José – o "irmão não escolhido" – ou como André – o fiel nos bastidores – anime-se. Deus escreveu seu nome onde mais importa: no Livro da Vida. O reino não avança apenas por aqueles na liderança, mas pelos inúmeros discípulos invisíveis que vivem para Cristo de forma silenciosa, constante e amorosa. A igreja não pode permanecer sem seus Josés e Andrés. E embora o mundo talvez nunca conheça seu nome, o céu certamente conhece.
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- F.F. Bruce, A Chama que se Espalha
- Everett Ferguson, A Igreja de Cristo: Uma Eclesiologia Bíblica para Hoje
- William Barclay, Os Homens do Mestre

